Tatiana Dahmer e o filho Mathias Foto: Arquivo Pessoal
Este domingo (10) é aquela data regada de amor, carinho, cuidado, lembrança e, em muitos casos, de saudade. O segundo domingo de maio é o Dia das Mães, uma data para celebrar e intensificar a importância daquelas que geraram vidas. Sejam filhos de sangue ou de coração, costumam ser capazes de um amor infinito e de grandes transformações, tudo em busca do bem-estar e desenvolvimento daquele filho ou filha.
E não importa a idade, sempre vai ser aquele ‘Ser’ especial do qual a mãe se reinventa e move montanhas, mesmo diante das dificuldades financeiras, das rotinas difíceis, dos horários corridos pela rotina, da falta de rede de apoio e das doenças, sejam elas físicas ou algum tipo de transtorno mental. E é com relação às dificuldades e necessidades de transformação e reinvenção que o Tribuna do Pampa trouxe na última edição (1.679) como forma de homenagem pela data, a história de duas mães de crianças atípicas, diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) que buscaram uma nova profissão para auxiliar no tratamento dos filhos. Uma forma de ultrapassar as barreiras diárias em nome do amor.
Em Candiota, a professora e psicopedagoda Tatiana Dahmer, 48 anos, professora há 27 anos, funcionária pública do estado do Rio Grande do Sul e do município de Bagé e é casada com Patrick Gonçalves e mãe do Mathias, de 13 anos. Ao TP ela contou que o diagnóstico do filho chegou há 10 anos, quando o filho estava com 3 anos de idade, fazendo com que a família passasse por momentos bastante difíceis em razão da existência de poucos profissionais para atendimento e a necessidade de deslocamento semanal para Pinheiro Machado e Bagé para o início do tratamento terapêutico.
“Desde jovem me sentia preparada para ser mãe de um menino. O Mathias foi uma criança planejada e quando o diagnóstico veio, muitas dúvidas e angustias surgiram. Na época não tínhamos nenhum terço do conhecimento que temos hoje, mas acredito que nossa vida seja traçada e que temos uma missão na Terra que determina como vivemos e nisso faço referência a profissão que optei por fazer, a Pedagogia, com alfabetização de crianças e não a psicologia que era minha vontade inicial”, contou.
A CLÍNICA
Ao TP Tati, como é conhecida, relatou que a necessidade de terapia para o filho e a dificuldade de atendimento durante a pandemia de Covid-19, a levou a abertura de uma clínica na cidade, a Psicoclin, com atendimentos de diversos profissionais especializados. “
Entre escola, família e atendimento clínico, surgiu a ideia de abrir a clínica. Na época, convidei profissionais que trabalhavam com o Mathias e deu certo. Daquele momento para cá, muitas crianças passaram pela clínica para avaliações de transtornos de neurodesenvolvimento, bem como intervenções com uma equipe multidisciplinar totalmente personalizada. E outras muitas estão conosco, ativamente, confiando no nosso trabalho no dia a dia, dentro da proposta da Psicoclin. Hoje trabalho na clínica como psicopedagoga e fiz a segunda especialização em neuropsicopedagogia. Trabalho com intervenção precoce e o Mathias segue em atendimento na clínica, mas com outros profissionais, não mais comigo porque nem poderia, mas precisamos nos reinventar e buscar alternativas, fazer isso por ele”, relatou profissional que destaca a família de crianças atípicas é a base e que todo atendimento deve ser humanizado e afetuoso.
SER MÃE
Tati falou sobre sua visão do que é mãe. “Penso que ser mãe é uma tarefa que é dada a quem realmente se propõe a criar, educar e proteger um ser que precisa de ti totalmente e conforme o teu entendimento dessa tarefa é que teu filho será como pessoa no mundo. Para uma mãe atípica essa tarefa multiplica muitas vezes, pois os desafios são maiores. Conheço muitas mães atípicas que são exemplos de determinação, amor e resiliência para mim”.
Para finalizar, Tatiana diz que após a chegada do Mathias, se tornou uma pessoa mais pacienciosa e com muito mais conhecimento. “Meu filho Mathias é o meu maior tesouro. É uma criança inteligente e muito amorosa. É a alegria da minha família. Sou muito grata a Deus por me dar a oportunidade de conviver com ele nesta vida. A todas as mães atípicas gostaria de dizer que rezo todos os dias por todas nós, para que Deus, na sua infinita bondade, nos dê saúde para podermos seguir na luta diária pelos nossos pequenos e para que o futuro os abrace com mais ternura e conhecimento”.
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