Em Pedras Altas durante avaliação de compactação do solo Foto: Divulgação Emater
O interior dos municípios costuma sofrer bastante com as conseqüências do clima. Fortes tempestades, intenso período de chuvas e em ocasiões de granizo, além de problemas estruturais em residências e galpões que demandam auxílio, a lavouras e as áreas destinadas a pastagem e ao gado costumam sofrer grandes impactos. Perdas de produção em razão de problemas com crescimento das plantas, e de peso nos animais em decorrência de problemas no solo e até de trafegabilidade para que o produto chegue na propriedade são os principais problemas.
Buscando mitigar as consequências dos efeitos climáticos que, para este ano de 2026 já estão previstos em grande volume de chuvas em razão da presença do El Niño, ações estão sendo executadas por meio de técnicos da Emater/Ascar nos municípios. Ao TP, os extensionistas destacaram que trabalhos estão sendo feitos principalmente por meio do programa estadual Terra Forte, um Programa de Recuperação Socioprodutiva, Ambiental e de Resiliência Climática da Agricultura Familiar Gaúcha é uma iniciativa de recuperação de solos proposta pelo Estado a fim de promover práticas sustentáveis e posicionar a agricultura familiar como eixo estratégico na reconstrução do Rio Grande do Sul.
MAIS SOBRE O TERRA FORTE
O financiamento ocorre por meio do Fundo de Reconstrução do RS (Funrigs), com investimento inicial de R$ 300 milhões. O programa identifica e diagnostica propriedades rurais, elabora planos individuais de recuperação, estrutura patrulhas mecanizadas, oferece assistência técnica para implementação dos planos e difunde tecnologias de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. O programa integra o Plano Rio Grande, que visa reconstruir e fortalecer o Estado beneficiando diretamente 15 mil agricultores familiares – e pode, por meio da difusão tecnológica, favorecer até 150 mil unidades produtivas de forma indireta.
O Terra Forte acontece em quatro eixos: Transferência direta de recursos ao produtor, com a seleção de agricultores familiares para recebimento de auxílio financeiro de até R$ 30 mil, em parcela única depositada no Cartão Cidadão, para execução de medidas de recuperação e resiliência nas propriedades, conforme plano de ação elaborado pela Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters); Assistência Técnica e Extensão Rural: Diagnósticos – fornecimento de assistência aos agricultores familiares selecionados, com diagnóstico, planejamento e execução de plano de recuperação socioprodutiva e incremento da resiliência, bem como difusão de tecnologias para até 150 mil propriedades rurais; Qualificação de patrulhas agrícolas mecanizadas – aquisição de tratores agrícolas e disponibilização aos municípios, mediante termo de doação, para suporte à execução das medidas de recuperação e resiliência nas propriedades, em articulação com a bancada federal do RS; Governança e parcerias institucionais – instituição de um Comitê de Governança para planejar, coordenar, monitorar e dar transparência às ações do programa.
CANDIOTA
O técnico agrícola e extensionista rural da Emater de Candiota, Gustavo Guimarães Donatti, disse ao TP que a entidade está esta operando o programa Terra Forte e que no município, promove práticas sustentáveis na recuperação de áreas degradadas, oferecendo assistência técnica gratuita e um subsídio de R$ 30 mil para 22 famílias no município. “Estamos trabalhando ações conforme os três eixos, o econômico, o social e o ambiental, visando fazer ações preventivas para mitigar os efeitos climáticos e as perdas para os produtores”, afirmou.
PINHEIRO MACHADO
Pelo município falou com o TP o gerente regional da Emater Pelotas, Ronaldo Clasen Maciel, que também afirmou o Terra Forte ser o principal trabalho. “Estamos recomendando formas de manejos que possam diminuir o escorrimento no solo, a perda de nutrientes, segurar essa água no solo evitando que ela chegue com velocidade nos rios e aumente rapidamente esse nível. Isso é um processo que está começando e as propriedades que não estão no programa também receberão as orientações”, explicou.
PEDRAS ALTAS
Conforme o chefe do escritório da Emater de Pedras Altas Sergio Madruga Furtado, há um trabalho através do programa Terra Forte, com a implantação de pastagens nativas com o intuito de evitar o revolvimento e descobertura do solo, bem como o uso de plantas de cobertura com esta finalidade.
Ele disse que as previsões exigem atenção redobrada da agricultura no Rio Grande do Sul e que já há preocupação por parte dos produtores. “O prognóstico indica chuvas acima da média para o segundo semestre e primavera, trazendo riscos ao campo gaúcho. No município, produtores manifestam preocupação e muitos já pensam na possibilidade de reduzir áreas de cultura de inverno a fim de evitar possíveis prejuízos com a perdas das lavouras, em especial a cultura do trigo e da canola, pois em 2024 quando ocorreu o excesso de chuvas houve uma perda muito significativa nas lavouras de verão e de animais em áreas mais baixas. Em razão disso, já estamos orientando produtores a evitar o cultivo de grãos de inverno em áreas baixas sujeitas a alagamento, não deixar o solo descoberto e realizar curvas de nível em áreas declivosas, evitando assim a ocorrência de erosão, perda superficial de solo e abertura de sulcos”, afirmou Sergio.
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