Francisco Telmo junto aos filhos e netos Foto: Divulgação
Neste domingo (9) se comemora uma importante data, o Dia dos Pais. Seja de sangue ou coração, apenas “emprestado” ou já em outro plano, a figura paterna costuma ser lembrada, presenteada e homenageada.
Por mais um ano o TP conta uma história como forma de homenagem a todos os homens que carregam esse sentimento e título de pai. O personagem desta edição é Francisco Telmo Azambuja Etcheverria, 74 anos. O candiotense, motorista aposentado, pai de quatro filhos – Débora, 42 anos, Daiana, 39, Darlan, 31 e Déverton, 30, e avô do Deyber, 21, Vallentina, 12 e do Thomas, de 1 ano 10 meses, carrega em sua história a dor, a superação e o aprendizado.
Isso porque ele que estudou até a quinta série e trabalhou desde muito cedo na lida de campo, assim como em outras atividades, precisou saber como seguir a vida e cuidar dos filhos após a perda da esposa Maria Elena. Sentado no sofá da sala que hoje vive com a companheira Nidia, emocionado ele relembrou as dificuldades enfrentadas. “Quando minha esposa faleceu aos 36 anos, há 24 anos, eu tinha os quatro filhos para terminar de criar. Minhas filhas maiores me ajudaram a cuidar dos irmãos e amigos me impulsionaram. Fiquei sem chão, foi bastante difícil, pois apesar do pai cuidar dos filhos é a mãe que sabe tudo e me vi precisando ser o pai e a mãe deles, com tudo em dobro”, contou.
Apesar das dificuldades, seu Francisco que foi pai pela primeira vez no ano de 1983, relatou que ser pai trouxe grandes transformações e que não esquece quando foi chamado de “pai” pela primeira vez. “Mudei o modo de pensar de muitas coisas, foi uma alegria, uma satisfação enorme, ainda mais quando escutei a palavra pai. Chegar teu aniversário e o filho te parabenizar, dar um abraço, é o melhor presente da vida”, contou ele, destacando que sempre que possível, em datas comemorativas, tenta reunir os filhos.
Telmo ao lado da esposa na época, Maria Elena, após a chegada do filho mais novo
Ele, que é integrante do grupo de idosos de Candiota, gosta de baile, viagens e do Internacional, deixa uma mensagem a todos os pais pela data. “Filhos, sempre procurem seus pais, nunca os abandonem. A vida é uma só, muita curta e não sabemos o dia de amanhã”.
A PALAVRA DAS FILHAS
O jornal também teve contato com as filhas de seu Francisco, que citaram situações marcantes e relembraram momentos. A filha mais velha, Débora destacou a forma de criação do pai. “Em uma família nunca vai existir total perfeição, mas fomos criados com educação, respeito, amor do jeito dele. Nem sempre ele conseguiu transmitir esse amor, mas nos passou seus princípios para que fossemos todos de bem.”
Daiane, junto ao exemplo do pai, também relembrou o exemplo deixado pela mãe. “Eu poderia dizer que tenho orgulho da criação que eu tive tanto quanto tinha minha mãe que me ensinou muito a cozinhar, limpar, lavar, cuidar dos meus irmãos, e enquanto casal, no caso, pai e mãe, os valores. Somos pessoas de caráter, isso não tem preço e não se ensina com palavras, se ensina com exemplo, como a não pegar o que não era nosso, a cumprir o que prometemos, coisas que nos foram passadas como obrigação e não virtude”, contou ela, lembrando também da disputa para dormir com o pai. “Lembro que a Débora e eu tínhamos um quarto e o Darlan e o Dé, bem pequenos, por um bom tempo dormiam no mesmo quarto que o pai. Na época, tinha uma cama de casal e uma de solteiro, e cada dia era a vez de um dos guris dormir com o pai. Eles tentavam passar a perna um no outro para disputar quem dormiria com o pai. Hoje, adultos, sabemos que se sentiam protegidos, acolhidos, naquela forma simples de carinho”.
JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO



