AGOSTO LILÁS

Sala das Margaridas visa atendimento humanizado e acolhedor em Candiota

Sala recebeu mobiliários novos, pintura e decoração feminina

Em funcionamento já há alguns meses, a Sala das Margaridas na Delegacia de Polícia de Candiota, tem transformado o atendimento às vítimas de violência doméstica no município. Com mobiliário e decoração aconchegante, a Sala foi pensada como um espaço para que as mulheres em situação de violência tivessem um ambiente mais reservado, humanizado e acolhedor dentro da Delegacia de Polícia Civil.

Conforme explicado ao TP pela secretária de políticas públicas para as mulheres de Candiota, Juliana Baumhardt, a organização ocorreu por meio da articulação entre a Secretaria da Mulher, a Polícia Civil, a Administração Municipal e parceiros que compreenderam a importância da iniciativa. “O espaço foi pensado para ser mais reservado, confortável e acolhedor, com mobiliário e ambientação adequados, sem perder a funcionalidade necessária para o trabalho policial”, afirmou. 

Ainda de acordo com a gestora, cada elemento foi planejado para diminuir a sensação de exposição e tornar o atendimento menos traumático. “Mais do que organizar uma sala, buscamos construir um espaço de respeito e proteção. Essa iniciativa demonstra como a união entre diferentes instituições pode produzir resultados concretos, mesmo em municípios de pequeno porte e com recursos limitados”.

A secretária lembra que o registro de uma ocorrência envolvendo violência doméstica é um momento extremamente delicado. “Muitas mulheres chegam fragilizadas, com medo, insegurança e, em alguns casos, acompanhadas de seus filhos. Ser atendida em um espaço comum, sem a privacidade necessária, pode aumentar o constrangimento e dificultar o relato”.

Brinquedos para as crianças que acompanham as mães também foram organizados

PROTEÇÃO MAIS AMPLA

Para Juliana, a Sala das Margaridas representa um avanço muito significativo para Candiota. “Ela materializa uma mudança na forma como o poder público recebe e escuta as mulheres em situação de violência. O ambiente adequado contribui para que a mulher se sinta mais segura para falar, relatar os fatos e compreender os encaminhamentos que poderão ser realizados. A privacidade e o acolhimento não são apenas detalhes: eles fazem parte de um atendimento digno e podem influenciar diretamente na decisão da mulher de continuar buscando proteção”.

Ela completa salientando que a Sala das Margaridas deve ser compreendida como uma porta de entrada para uma rede de proteção mais ampla. “A sala também fortalece a integração entre a Polícia Civil, a Secretaria da Mulher e os demais serviços da rede. O atendimento policial é uma etapa fundamental, mas muitas mulheres também necessitam de orientação jurídica, acompanhamento psicológico e social, acesso a benefícios, qualificação profissional e oportunidades de geração de renda”.

PRIVACIDADE E RESPEITO

Ainda sobre o espaço, no que se refere a mudanças na forma de atendimento e benefícios, a secretária de Candiota destacou o atendimento privativo, tranquilo e respeitoso. “O espaço favorece uma escuta mais qualificada e ajuda a estabelecer uma relação de maior confiança entre a mulher e os profissionais responsáveis pelo atendimento. Também permite que a situação seja compreendida de forma mais cuidadosa, facilitando os encaminhamentos necessários para a rede de proteção. Agora temos uma estrutura preparada para receber essas mulheres vítimas, pois a violência contra a mulher é uma questão pública, deve ser enfrentada pelas instituições e nenhuma mulher precisa permanecer em silêncio por falta de acolhimento.”

O jornal também conversou com o delegado responsável pela Delegacia de Candiota, Cristiano Ribeiro Ritta, que lembrou que a Sala das Margaridas é um projeto da Polícia Civil nas cidades onde não existe uma delegacia especializada no atendimento à mulher, para justamente tentar fazer um melhor acolhimento. Ele destacou que o espaço auxilia em um melhor atendimento. “Com as parcerias conseguimos viabilizar a instalação física da Sala das Margaridas. Obviamente é um processo complexo de atendimento, pois não é só uma questão de espaço físico, embora ele também ajude, mas isso envolve todo um sistema de melhor atendimento da mulher que envolve outros órgãos, questões psicológicas. Falamos de vítimas de violência doméstica, onde até mesmo a questão de moradia precisa ser resolvida na Justiça. Então a Sala é um passo, um tijolinho muito importante nessa construção de conseguirmos fazer um melhor atendimento para as vítimas”, afirmou. 

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