Gabriela Soares da Fonseca Pereira, de 37 anos, descobriu a doença em meados de maio deste ano
Com o objetivo de diagnóstico precoce, apoio e acolhimento, disseminação de informações e promoção dos cuidados com a saúde da mulher, o mês de outubro é mundialmente reconhecido pela sua campanha de conscientização do câncer de mama – o outubro rosa.
Pensando nisso, nesta edição, o TP entrevistou Gabriela Soares da Fonseca Pereira, de 37 anos, que é natural do Rio de Janeiro, mas já reside em Candiota há 15 anos. Ela descobriu o câncer de mama em meados de maio passado, e desde então está em tratamento.
O DIAGNÓSTICO
A descoberta foi completamente inesperada por ela, principalmente por não ter históricos familiares e não estar na idade de realizar os exames de rotina, geralmente solicitados após os 40 anos. “Eu senti um carocinho no meu seio direito, num toque no banho. Na consulta de rotina com meu ginecologista, mostrei que estava sentindo um caroço diferente no meu seio, que não sentia antes. E pela cara dele me examinando, já vi que tinha algo”, relatou ela, que após o atendimento médico foi solicitada a realizar os principais exames de investigação: ultrassonografia mamária, mamografia e biópsia do nódulo.
Ao receber o resultado dos exames, seu sentimento foi de choque. “Passa mil coisas na nossa cabeça. ‘Por que eu?’ É a pergunta que mais rodeia a minha cabeça”, disse.
TRATAMENTO E ROTINA

Primeira quimioterapia foi dia 30 de junho Foto: Divulgação
Gabriela contou ao TP sobre o processo até identificar o melhor atendimento para seu caso. “O que muita gente não sabe, eu por exemplo não sabia. Ele tem vários tipos e subtipos. Existem diversos protocolos de tratamento para cada subtipo. Por isso realizei vários outros exames para assim o médico definir o protocolo de tratamento”.
Todo seu tratamento é realizado no complexo oncológico da Santa Casa de Caridade, em Bagé. Agora o processo é de quimioterapia, com uma sessão a cada 21 dias.
Ela, que já precisou de algumas transfusões de sangue, ainda explicou que já teve duas aplicações suspensas, pois elas dependem dos resultados dos hemogramas. Quem a acompanha durante o processo é o esposo, Alessandro.
“Depois que eu terminar os ciclos, irei fazer a cirurgia. E depois talvez farei radioterapia, vai depender do progresso”, relatou.
No seu dia a dia, as mudanças foram drásticas. “Me sinto muito fraca com o tratamento, perdi bastante peso, precisei me afastar do trabalho”.
Além disso, ela destacou a preocupação com os seus dois filhos, Manuela, de 12 anos, e Pedro, de 8 anos. “Por eles me esforço ao máximo para tentar manter a rotina de como era antes do câncer”.

Último tratamento de Gabriela. Ainda faltam duas sessões para a finalização deste processo
MUDANÇA
Ela também explicou à reportagem sobre o porquê deixou de viver no Rio de Janeiro. “Meu padrasto era daqui, e foi pro Rio em busca de emprego, onde conheceu a minha mãe. Eles se conheceram quando eu tinha 5 anos, praticamente foi meu pai. Aí nós vínhamos para cá nas férias passear, e quando eles se aposentaram, decidimos vir morar aqui, um local mais calmo, mais tranquilo de se viver. Eles já faleceram, e eu fiquei aqui, com a família que construí”, disse.
APOIO
Questionada sobre o apoio recebido, ela enfatiza, que mesmo sem parentes na cidade, tem o auxílio da família do marido. “Apesar da distância, sempre recebo mensagens, orações e força dos familiares e amigos do Rio”, afirmou, relembrando o carinho de sua, como brincou, ‘boadrasta’, Ana Lúcia, que conversa com ela todos os dias.
FORÇA
Como mensagem para mulheres que estão passando pela mesma situação, Gabriela fala sobre aproveitar a vida ao máximo. “Temos que aprender a dar valor aos pequenos momentos, a cada dia da nossa vida, porque todo dia é especial. Todo dia é importante”.
Como palavra que define sua trajetória até aqui, ela escolhe força. “A quimioterapia vem para nos salvar do câncer, mas pra te salvar ela te derruba de uma tal forma, precisamos ter muita força, paciência e coragem para continuar. E sempre com fé que no final tudo vai dar certo”, finaliza.
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