Localidades, principalmente no interior, ficaram por mais de uma semana desassistidas
Os rastros de destruição causados pela severa tempestade da madrugada do dia 21 de setembro ainda seguem pela região. Algumas localidades de Candiota, Pedras Altas e Pinheiro Machado chegaram a ficar mais de uma semana sem acesso a energia elétrica em decorrência de quedas de postes, fios arrebentados e árvores caídas. Em reivindicação do direito básico, protestos foram realizados pelos moradores, que vêm sofrendo inúmeros prejuízos desde então.
CANDIOTA
Em Candiota, os moradores da João Emílio e Seival, que estiveram por quase quatro dias completos sem luz, se reuniram em duas mobilizações. A Miguel Arlindo Câmara (MAC), principal rodovia do município, esteve bloqueada por cerca de duas horas na altura da vila na noite de quinta-feira (24). Na ocasião, um representante da Equatorial Energia – concessionária que abastece o município e grande parte da região – esteve no local e negociou com os moradores para começar o serviço de recuperação às 8h na manhã do dia seguinte, sexta-feira (25).
Os moradores decidiram então se mobilizar novamente na manhã da sexta-feira. Como uma forma de aguardar a chegada das equipes para manutenção, o ato bloqueou a MAC das 5h30 da manhã até por volta das 18h, em um regime de liberação da passagem de cinco minutos a cada hora.
O morador da João Emílio e um dos líderes da mobilização, Cléo Moura, conversou algumas vezes com o TP durante o protesto, alegando as dificuldades e a urgência do retorno da luz. “Nas áreas rurais são pessoas perdendo produção, com dificuldades, pessoas acamadas, que necessitam de atendimento especial. Então isso nos preocupa”, relatou, enquanto ainda aguardavam a chegada da Equatorial
Para a felicidade de todos, o retorno aconteceu às 19h30, após 14 horas de mobilização, e foi motivo de muita comemoração pela comunidade, que unida gritou “Um povo unido jamais será vencido!”.
ZONA RURAL

Moradores estiveram com as equipes da Equatorial acompanhando os serviços até as 23h30 Foto: Divulgação
Completando oito dias sem o restabelecimento da energia, na última terça-feira (29) foi a vez das áreas rurais do município se mobilizarem. Produções e comidas perdidas, além de um prejuízo inestimável foi o que incentivou o grupo de agricultores assentados da reforma agrária a bloquear a rodovia Miguel Arlindo Câmara (MAC) desde às 6h da manhã até 12h.
As reivindicações, conforme repassou o assentado Fabiano André, o Fabianinho, um dos líderes da ação, foram as mesmas da mobilização de sexta-feira (25): cerca de 200 famílias dos assentamentos Marmeleiro, Passo do Tigre, 20 de Agosto, Madrugada, Santa Lúcia e São José ficaram sem energia elétrica por mais de uma semana.
Segundo a liderança, o retorno aconteceu às 23h30 em meia-fase e, pela madrugada, a energia foi restabelecida por completo.
Ainda, Fabianinho destacou a união dos moradores. “Nós ficamos acompanhando a equipe da Equatorial até às 23h30. Com o pessoal aqui do interior ajudando a empresa para mostrar os pontos onde eles tinham que erguer os postes e arrumar os fios”.
PEDRAS ALTAS E PINHEIRO MACHADO

Cartazes demonstraram a indignação da comunidade pela falta de energia elétrica Foto: Maria Leonora Lehr TP
Ambos os municípios estiveram reunidos na manhã de quarta-feira (30), paralisando o trânsito do trevo de acesso a Pinheiro Machado, na BR-293. A mobilização, que teve início às 8h da manhã, uniu a comunidade para pedir uma resposta e previsão de retorno da luz, que desde a madrugada do dia 21, não aconteceu para algumas comunidades.
Em entrevista a TVTP, a moradora da localidade rural São João Batista, Rejane Santos, vinha passando por muitas dificuldades com o marido, que necessita de insulina. “Estamos precisando trazer ele para cidade todos os dias”.
A moradora falou também sobre as perdas que vem sofrendo. “Estragou carne, legumes, além de muitas outras coisas”, destacou.
Rejane, que em outro momento chegou a ficar 11 dias sem energia, falou também sobre o isolamento. “Lá o sinal de telefone celular é ruim, e a gente não tem como carregar, então estamos sem comunicação nenhuma.
O morador da área rural Passo do Machado, de Pinheiro Machado, Clair Pereira de Azambuja, o Gauchinho do Acordeon, falou sobre um poste que precisa de manutenção em sua propriedade há mais de um ano, e que com a força dos ventos acabou caindo. “Há mais de ano nós estamos pedindo manutenção. E o pior de tudo é que ligamos para eles (CEEE Equatorial), e ficam mentindo”.
Ainda, o Gauchinho do Acordeon destacou seus prejuízos, que incluíram carnes e outros alimentos que precisam de refrigeração. “O povo da campanha já não aguenta mais”.
A vereadora pinheirense e uma das líderes da mobilização, disse descontente sobre os serviços prestados pela Equatorial. “Pessoas estão perdendo medicamentos e alimentos. A gente tem que ter paciência, mas também temos que nos colocar no lugar do outro”.
O protesto foi encerrado por volta das 12h e os manifestantes, que tentaram contato com a concessionária por uma videochamada, até o fechamento desta edição, aguardam uma solução.
A vereadora Samanta Rochel informou na manhã da última quinta-feira, que haviam 14 equipes trabalhando no interior de Pinheiro Machado e 5 equipes no interior de Pedras Altas desde a noite de quarta-feira (30) e que, em algumas localidades, a energia já havia retornado.
EQUATORIAL
Conforme informa o mapa de fornecimento da concessionária, no Estado são 6.772 mil consumidores afetados. Em Candiota 210 clientes estão desabastecidos desde a última atualização, Pedras Altas são 66, e em Pinheiro Machado 143. Importante frisar que estes números se referem a unidades consumidoras, e não o número de pessoas afetadas.
Em nota enviada à imprensa, a distribuidora afirma já ter restabelecido 99,8% dos afetados e estar com mais de 500 equipes em campo. “As ocorrências em atendimento envolvem, em muitos casos, trechos da rede severamente danificados e estruturas de alta tensão, que exigem intervenções de maior complexidade. Esses reparos demandam materiais específicos, equipes especializadas, maior tempo de execução e procedimentos adicionais de segurança.” explica.
Além disso, a empresa se solidarizou pelos transtornos causados. “A distribuidora também mantém investimentos constantes na rede elétrica, com ações voltadas à ampliação da segurança, estabilidade e resiliência do sistema diante dos desafios impostos pela realidade climática”.
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