SETEMBRO AMARELO

Entre recomeços: a história de quem enfrentou a depressão e viu no empreendimento a superação

Luana e a mãe Sirlei que a apoiu na iniciativa Foto: Divulgação

A candiotense Luana Castaman Paim é autista nível 2 de suporte e luta contra a depressão. Desde 2024 empreende na Marmitaria Luana, ao lado de sua mãe

Representado pelo amarelo, o mês de setembro é um importante momento para debater a conscientização e prevenção ao suicídio. Campanhas de apoio, quebra paradigmas e progresso no pensamento da sociedade são algumas das evoluções que o mês especial promove desde 2015, quando aconteceu sua primeira edição.

No meio de histórias que simbolizam lutas, superação e recomeços, o TP entrevistou a jovem de Candiota, Luana Castaman Paim, de 25 anos, que luta contra a depressão desde a adolescência, e é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2 de suporte. A jovem é proprietária da Marmitaria Luana, um empreendimento que para ela significa um recomeço. 

TRAJETÓRIA

Luana relatou ao TP que desde a infância tinha dificuldades, era uma criança que frequentemente recebia castigos. “Nas séries iniciais, tive dificuldades para aprender a ler e escrever. Minha letra também demorou a se desenvolver”, contou, lembrando que desde aquela época fazia acompanhamento com psicóloga. 

Durante a adolescência, quando descobriu a depressão, seguiu estudando e passou a ser atendida também com psiquiatra. 

DIAGNÓSTICO

Luana também contou sobre a descoberta do autismo, no ano passado, quando teve uma recaída forte na depressão. “Tive acompanhamento diário com minha psicóloga e foi durante esse período que ela começou a perceber que talvez existisse algo além da depressão”. 

A jovem recebeu a confirmação do TEA após alguns testes e exames, quando migrou do atendimento em Pelotas para Bagé. “Foi um diagnóstico que fez muitas coisas da minha vida começarem a fazer sentido. Situações da infância, dificuldades, comportamentos e algumas experiências que eu nunca havia conseguido compreender passaram a ter uma explicação”, explicou. 

Falando da vida pós diagnóstico, Luana diz das dificuldades e vergonha que sentiu na época, mas que, com a ajuda de profissionais, passou a entender o autismo de maneira diferente. “Eles me ajudaram a compreender que receber um diagnóstico não muda quem eu sou”. 

Luana explicou sobre a importância de acolher quando se descobre o TEA, principalmente quando são crianças. “Não desista dela. Acredite nela. Acredite no processo”. 

SOBRE O NEGÓCIO

Sustento de Luana vem do empreendimento Foto: Divulgação

Segundo Luana, a ideia de empreender veio em 2024, quando ela trabalhava como controladora de produção na mina da InterCement. Ela contou que quando resolveu iniciar não tinha nenhuma experiência na cozinha, mas que contou com o exemplo e o apoio da mãe, Sirlei de Fátima Castaman, que hoje trabalha ao lado dela na marmitaria. “Desde então, dividimos as funções. Na prática, porém, acabamos fazendo um pouco de tudo, desde a divulgação da empresa até a entrega do alimento, além dos desafios diários”.

Ao lado da mãe, Luana também conta com um motoboy para as entregas, que são realizadas em diversos bairros do município. “É um trabalho que exige muita dedicação. Não envolve apenas cozinhar. Existe toda a parte de organização, compras, preparo, montagem dos pedidos, atendimento, divulgação e entregas”, destaca Luana. 

Conforme informou Luana, hoje mais de 10 opções compõem o cardápio, com valores a partir de R$ 16,99, com um combo diferente em promoção a cada dia da semana.

Especializada em alaminutas, a marmitaria está localizada na sede de Candiota, na Rua 3 (Adão Vieira Silveira), nº 312.

SUPERAÇÃO

Jovem que luta contra a depressão e descobriu ser autista, diz que marmitaria representa para ela superação

A jovem ainda falou sobre períodos difíceis de sua caminhada, principalmente quando esteve internada em razão da depressão. “Muitas vezes achei que aquilo seria o fim da minha história”. 

Luana destacou o apoio dos tios, e principalmente da mãe ao longo do processo. “A marmitaria era nossa única fonte de renda e houve muitos dias em que, por causa das crises e das dificuldades que eu enfrentava, não conseguia atender. E foi nesse período que minha mãe foi minha base, meu alicerce e minha motivação”. 

Atualmente, a jovem, que já chegou a tomar nove medicamentos por dia, segue em tratamento contra a depressão. Como última mensagem, Luana fala sobre superação. “Eu não sou apenas aquilo que um laudo escreveu sobre mim. Eu sou também tudo aquilo que consegui construir depois dele”.