CLIMA

Estado organiza ação preventiva diante de iminência de forte El Niño

Governador determinou o início de um fluxo de governança integrada com os 60 municípios com maior vulnerabilidade climática Foto: Maurício Tonetto/Secom

A Climatempo, empresa de meteorologia, já confirmou a formação do fenômeno El Niño no Rio Grande do Sul. A previsão já deixou as autoridades estaduais e municipais em alerta devido ao que o fenômeno climático pode trazer de consequências, principalmente estruturais.
No Brasil, o El Niño costuma trazer mais chuva para a região Sul e maior risco de seca na Amazônia e no Nordeste. Ele é um aquecimento acima do normal da água do oceano Pacífico Equatorial, entre a costa do Peru até mais ou menos a região central do oceano que ao ser transportado para a atmosfera, cria um padrão diferente, mudando a quantidade de chuva e a temperatura do ar.
REGIÃO SUL
O TP conversou com o meteorologista Fernando Rafafel que explicou questões importantes relacionadas ao El Niño e comportamento do fenômeno na região Sul do Estado. Ele salientou que modelos climáticos internacionais projetam que o El Niño ainda está se desenvolvendo e que na região sul gaúcha os efeitos mais importantes na primavera (entre setembro e dezembro) desse ano e o outono (abril a junho) de 2027.
Segundo Fernando Rafael, “durante o El Niño são esperadas chuvas excessivas no sul do Brasil, incluindo também regiões do sul do Rio Grande do Sul, do Uruguai e da Argentina. Normalmente, esse sinal de chuva acima da média é na primavera do ano que o fenômeno está se formando e ainda durante o outono do ano seguinte. O ápice do El Niño costuma ser nos últimos meses do ano, com possibilidade de entrar em dezembro e depois á a partir de abril e maio de 2027. É quando ocorrem chuvas mais frequentes, intensas e volumosas na metade sul gaúcha, passíveis de inundações, enchentes e alagamentos, além de ocorrência de granizo e vendaval, situações que já ocorrem e acabam sendo recorrentes em função desse aumento dos volumes de chuva”.
O meteorologista disse não ser possível dizer no momento qual região do Estado vai ser mais impactada por essas chuvas em maior volume em função do El Niño. “De qualquer forma, vamos seguir acompanhando, pois vai ser um período mais chuvoso e que vai exigir maior atenção, porque as previsões subsazonais e sazonais, que a gente chama na meteorologia, já indicam a formação de El Niño com potencial de ser um super El Niño. Ao contrário de agora que registramos chuvas abaixo da média, na metade sul gaúcha não é possível prever atualmente quantos milímetros de chuva a mais teremos em relação a outros anos que foram mais normais, mas a gente já sabe que vai ser um período mais chuvoso.  Devermos ter, por enquanto, temperaturas dentro da média, com alguns episódios de frio intenso alternando com períodos mais quentes nessa primeira quinzena do mês de junho. No verão ainda é muito cedo para prevermos, mas o El Niño também favorece ondas de calor mais intensas durante o verão”, explicou, lembrando ainda que o fenômeno deverá causar problemas no setor agropecuário, com possíveis atrasos no plantio, colheita e no ciclo de produtividade das frutíferas de clima temperado como pessegueiro, oliveira e videira.
EL NIÑO FORTE
A meteorologista da Defesa Civil do Estado, Cátia Valente, apresentou dados que mostram um aquecimento acelerado do Pacífico: a temperatura saltou de -0,4°C no final de 2025 para 0,5°C já em maio deste ano, patamar que caracteriza o início da formação do El Niño. A especialista comparou que, a partir das condições oceânicas atuais, o cenário, neste momento, é semelhante ao observado em 2023, embora ainda passível de alteração passado o período de transição do outono.
AÇÕES DE PROTEÇÃO ESTADUAIS
O governo do RS promoveu, na quarta-feira (20), reunião com a Defesa Civil Estadual para atualização dos prognósticos climáticos para os próximos meses. O governador Eduardo Leite determinou a antecipação do fluxo de governança integrada com municípios sob maior risco de impactos climáticos diante do prognóstico. Prefeitos de municípios mais afetados já foram contatados. “Não há dúvida de que enfrentaremos um período de maior instabilidade climática. Mas também não há dúvida de que o Estado está hoje muito mais preparado do que esteve no passado. Fizemos investimentos históricos no fortalecimento da Defesa Civil, ampliamos equipes, tecnologias e capacidade de monitoramento”, afirmou o governador.
O governo RS lembrou em material divulgado, que o efetivo técnico da Defesa Civil foi ampliado e um novo radar meteorológico já opera em Porto Alegre, assim como outros três foram contratados, com início de operação previsto para os próximos meses, assegurando cobertura total do território gaúcho. Ainda, que foi investido, a partir do Plano Rio Grande, cerca de R$ 1 bilhão na aquisição de equipamentos e tecnologia para as forças de segurança; ferramentas para verificação do comportamento dos rios para maior precisão dos efeitos, permitindo ações de prevenção mesmo antes da chuva começar.
O governo informou que atualmente os 497 municípios gaúchos contam com planos estruturados de preparação e resposta a eventos climáticos extremos, com protocolos de atuação e orientações à população em situações de risco
CANDIOTA
O TP buscou junto aos municípios se medidas preventivas ou de mitigação de efeitos estavam sendo pensadas. Apenas a Prefeitura de Candiota retornou até o fechamento desta edição com as informações por meio do coordenador da Defesa Civil, Edegar Junior, que informou que está acompanhando com atenção os prognósticos climáticos divulgados pelos órgãos oficiais para o segundo semestre. “Embora nosso município não esteja inserido entre as áreas classificadas como de maior criticidade no cenário estadual, historicamente sofremos impactos relacionados a chuvas intensas, como danos em estradas vicinais, alagamentos pontuais, destelhamentos, interrupções de acessos e prejuízos ao setor produtivo rural. Diante deste cenário, a Defesa Civil Municipal já trabalha de forma preventiva e integrada com as demais secretarias e órgãos competentes, priorizando ações como monitoramento constante das condições meteorológicas e emissão de alertas preventivos; revisão e atualização dos planos de contingência municipais; levantamento de áreas vulneráveis e pontos críticos de alagamento; apoio às equipes de infraestrutura para manutenção preventiva de drenagens, bueiros e estradas; organização logística para pronta resposta em casos de emergências; integração com os órgãos estaduais e regionais de Defesa Civil, a fim de minimizar danos, preservar vidas e garantir maior capacidade de resposta diante de possíveis eventos climáticos adversos”.
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