Estados Unidos vs. Irã

A coluna desta semana buscará tratar de um conflito demasiado relevante, travado entre duas grandes nações: Estados Unidos vs. Irã, ou seja, uma nação que é a mais poderosa da atualidade no Mundo, e outra que representa uma peça central no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, além de ser herdeira de um dos maiores impérios da história, o Império Persa. O texto de hoje, portanto, falará sobre isso. Porém, não com olhos para o presente, mas, sim, ao passado, com foco no rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, algo que se encontra presente até hoje, sobretudo hoje.

A ruptura das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã, ocorrido no fim da década de 1970, constitui um dos episódios mais marcantes da política internacional contemporânea. A crise não surgiu de maneira repentina, tendo sido resultado de décadas de aproximação estratégica, tensões políticas internas e crescente insatisfação popular no Irã diante da influência norte-americana no país. O desfecho desse processo alterou profundamente o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e inaugurou uma rivalidade que persiste até os dias atuais. O conflito de hoje não vem de hoje, eis o ponto.

Durante boa parte do século XX, o Irã foi um dos principais aliados dos Estados Unidos na região. Essa relação fortaleceu-se especialmente após 1953, quando o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh foi deposto em um golpe apoiado pela CIA e pelo governo britânico.Mossadegh havia nacionalizado a indústria petrolífera iraniana, contrariando interesses ocidentais. Após sua queda, o xá Mohammad Reza Pahlavi consolidou-se no poder com amplo apoio de Washington.

O regime do xá promoveu intensa modernização econômica e militar, aproximando o Irã do modelo ocidental. Entretanto, grande parcela da população via essas transformações como autoritárias, desiguais e excessivamente subordinadas aos interesses estrangeiros. A repressão política exercida pela SAVAK, polícia secreta do regime, alimentava ainda mais o descontentamento popular. Paralelamente, líderes religiosos, intelectuais e setores nacionalistas denunciavam a crescente influência dos Estados Unidos sobre o país.

Nesse contexto emergiu a figura do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder religioso xiita que se tornou símbolo da oposição ao xá. Exilado durante anos, Khomeini denunciava tanto o autoritarismo do governo iraniano quanto aquilo que considerava uma submissão humilhante ao Ocidente. Em 1979, após meses de protestos populares, greves e confrontos, o xá deixou o Irã. Pouco depois, Khomeini retornou ao país e liderou a Revolução Islâmica, que transformou o Irã em uma república islâmica baseada em princípios religiosos.
A ruptura definitiva entre Teerã e Washington, assim sendo, ocorreu em novembro de 1979, quando estudantes iranianos invadiram a embaixada dos Estados Unidos em Teerã e fizeram dezenas de diplomatas norte-americanos reféns. O episódio ficou conhecido como Crise dos Reféns do Irã e tornou-se símbolo máximo da deterioração das relações entre os dois países, episódio marcou o início de uma hostilidade duradoura entre as duas nações.

JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO

Comentários do Facebook