FUTURO DO CARVÃO MINERAL

Fórum em Candiota debate mineração, fertilizantes e transição energética para impulsionar o desenvolvimento gaúcho

Realizado na Câmara de Candiota, encontro reuniu autoridades, especialistas, empresários, trabalhadores e representantes do poder público

Autoridades prestigiaram o Fórum Foto: Maria Leonora Lehr TP

Plenário da Câmara ficou lotado durante a atividade

Transformar a riqueza mineral do Rio Grande do Sul, especialmente o carvão mineral, em desenvolvimento econômico, geração de empregos, produção de fertilizantes e fortalecimento da competitividade estadual. Esse foi o principal objetivo do Fórum da Mineração, Desenvolvimento Sustentável e Transição Energética, realizado nesta quarta-feira (29), no plenário Gregório Ferreira da Câmara de Candiota.

O evento foi promovido pelo Legislativo local, pela Frente Parlamentar da Mineração e do Polo Carboquímico da Região da Campanha, presidida pelo deputado estadual Paparico Bacchi (PL), com apoio da Prefeitura de Candiota. Autoridades, especialistas, representantes do setor produtivo, pesquisadores, trabalhadores e estudantes se reuniram para discutir o papel estratégico da mineração diante das transformações econômicas, ambientais e tecnológicas.

Ao longo da programação, especialistas defenderam que o Rio Grande do Sul possui uma das maiores riquezas minerais do país e reúne condições para ampliar sua participação na produção de insumos estratégicos para a agricultura, a indústria e a transição energética. Estudos técnicos apontam que o Estado concentra cerca de 90% das reservas brasileiras de carvão mineral (sendo a maior parte em Candiota), além de importantes jazidas de ouro, cobre, calcário e minerais considerados estratégicos para novas tecnologias.

Paparico Bacchi afirmou que o Estado precisa transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e novas oportunidades para os gaúchos. “Estamos apenas no início de uma caminhada vitoriosa no aproveitamento da riqueza mineral que o Rio Grande do Sul possui. Durante muito tempo havia resistência ao debate sobre mineração. Hoje essa pauta está amadurecida e passa a ser compreendida como uma oportunidade para gerar emprego, renda e desenvolvimento.”

Segundo o parlamentar, o Rio Grande do Sul perdeu protagonismo em importantes cadeias produtivas nas últimas décadas e precisa construir novas alternativas para fortalecer sua economia. “O Rio Grande do Sul já foi referência em diversos setores industriais e produtivos. Precisamos recuperar competitividade e olhar de forma estratégica para nossa riqueza mineral. Não se trata apenas de explorar recursos naturais, mas de agregar valor, industrializar, produzir fertilizantes, gerar empregos e fortalecer a economia gaúcha.”

Durante sua manifestação, Paparico também destacou que o carvão mineral pode desempenhar um papel importante além da geração de energia elétrica, servindo como matéria-prima para produtos de maior valor agregado, como ureia, sulfato de amônia e fertilizantes, reduzindo a dependência brasileira de insumos importados para o agronegócio.

O deputado ressaltou ainda o potencial de empreendimentos ligados ao ouro em Lavras do Sul, ao cobre em Caçapava do Sul, às terras raras e ao calcário, defendendo políticas públicas que estimulem novos investimentos e ampliem a competitividade do Estado. Entre os encaminhamentos debatidos durante o Fórum, Paparico citou a possibilidade de defender a recriação da Secretaria Estadual de Minas e Energia, com o objetivo de fortalecer a governança e o planejamento do setor mineral.

Outro tema discutido durante o evento foi a participação do carvão na matriz elétrica mundial. Dados apresentados durante os painéis, com base na Agência Internacional de Energia (IEA) e no Balanço Energético Nacional (EPE), mostram que o carvão responde por aproximadamente 55,3% da geração de energia elétrica da China, 52% da Polônia, 16% dos Estados Unidos e 83% da África do Sul. No Brasil, a participação é de cerca de 1,4%, dado utilizado pelos palestrantes para contextualizar o debate sobre segurança energética e as diferentes estratégias adotadas pelos países na composição de suas matrizes elétricas.

O deputado federal e candidato ao Senado Ubiratan Sanderson (PL) e a deputada estadual Adriana Lara (PL) participaram do evento.

PROGRAMAÇÃO

A programação contou com painéis conduzidos pelo presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan; pelo representante da Pampa Forte Fertilizantes, Gustavo Bastiane; pelo presidente da Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha, Eraldo Vasconcelos, e pelo representante do Sindicato dos Mineiros de Candiota, Hermelindo Ferreira, que abordaram temas como produção de fertilizantes, desenvolvimento regional, sustentabilidade e os desafios da transição energética.

O Fórum reuniu ainda o prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, o vice-prefeito Marcelo Gregório, o presidente da Câmara, Gildo Feijó, o diretor de Mineração da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Otávio de Lima, representantes da Companhia Riograndense de NMineração (CRM), Copelmi Mineração, Lavras Mineração, Pampa Forte Fertilizantes, sindicatos, instituições de ensino, empresários, trabalhadores e estudantes.

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