Eduarda tem 24 anos e atualmente aguarda pela versão física do livro Foto: Divulgação
A escritora bageense Eduarda Cunha Gazen Manzke, de 24 anos, esteve na Câmara de Vereadores de Hulha Negra, cidade onde residiu por vários anos, na manhã do último sábado (28), comentando sobre sua obra literária “Quero-quero”. Na ocasião ela explanou sobre sua trajetória até completar a escrita do livro, que ainda está em fase de pré-lançamento e terá obra física lançada oficialmente e disponível para comercialização nos próximos meses.
TRAJETÓRIA
Eduarda relatou ao TP que sempre esteve muito ligada à leitura e escrita. Formada como técnica em Informática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), em 2021 entrou no curso de Letras pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), e começou a participar de programas voltados à área. “Comecei a escrever com oito anos e desde sempre gostei muito da leitura. No técnico fiz parte de oficinas de escrita, criei projetos culturais e fui entendendo como funciona o processo de publicação de um livro”, comentou.
Questionada sobre o processo de escrita, a jovem relata ter sido extenso, porém interessante. “Foram mais ou menos dois anos de escritas e reescritas. Eu ia produzindo os contos aos poucos e alguns deles foram sendo publicados em coletâneas e projetos com outros autores, então foi um processo bem subjetivo e bem longo até chegar nessa obra final”.
SOBRE O LIVRO

O livro “Quero-quero” é de contos, dividido em duas partes, “O azul” e “A luz”, sendo a união de várias histórias diferentes que se organizam em torno de temas variados. “Tem histórias que falam de amor, de amizade, da família, de identidade, descobrimento, do luto, reflexões sobre o envelhecimento. Alguns contos são mais esperançosos, outros um pouco mais melancólicos ou questionadores”, destacou Eduarda.
Acerca do nome escolhido, a escritora explicou se tratar do título de um dos primeiros contos escritos por ela. ““Sempre gostei dos quero-queros, acho que por ser uma ave que tem uma identificação muito grande com a nossa região e por eles terem hábitos tão curiosos como, por exemplo, fazer ninho no chão”.
A obra, que estava em pré-venda até dia 29, será impressa pela editora Minimalismos, que trabalha de forma independente, o que permite os autores publicarem seus livros sem custo.
Conforme a jovem autora, o processo até encontrar a editora foi realizado pelas redes sociais, quando Eduarda enviou o livro para a empresa, que gostou do trabalho e se dispôs a realizar a impressão da obra. Eduarda comentou que o processo é um pouco demorado, justamente por ser um trabalho independente, mas que está otimista com essa nova fase.
EM HULHA NEGRA
O lançamento oficial da obra “Quero-quero” deverá acontecer nos próximos meses, mas no dia 28 de março, Eduarda recebeu o convite do prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani, para expôr sua obra, tendo em vista a jovem ter finalizado o ensino fundamental no município. “Foi um momento importante de troca de ideias. Apresentei a obra e alguns dos projetos culturais que participei”, relatou.
Durante a solenidade de lançamento da obra, o prefeito Fernando Campani recepcionou a autora e ressaltou a importância de valorizar jovens que demonstram protagonismo intelectual. “Quando percebemos a desenvoltura dos nossos jovens, temos o dever de divulgar, valorizar e promover essas referências que estimulam novos jovens a construir a sua própria história”, afirmou.
A Câmara de Vereadores e Vereadoras, que tem a frente como presidete Volnei Manfron, também se manifestou parabenizando a jovem escritora e sua família pela conquista, além de reforçar seu compromisso em apoiar iniciativas culturais. “A Câmara é parceira e incentivadora de ações que promovam o conhecimento, a educação e a valorização dos talentos locais”.
A atividade integrou as comemorações dos 34 anos de emancipação de Hulha Negra, evidenciando o papel da cultura como ferramenta de transformação e desenvolvimento social.
LITERATURA NA INFÂNCIA
O TP também conversou com o pai de Eduarda, Carlos Manzke, que relembrou um pouco da trajetória da filha até a escrita do livro. “Ela sempre foi uma leitora voraz, desde criança, antes de aprender a ler, a gente sempre comprava revistinha para ela e quando eu sentava para ler um livro, um jornal, ela sempre fazia questão de pegar um livrinho, uma revistinha e ficava folheando, olhando os desenhos ali”, comentou o pai.
Ele também relatou que quando teve a ideia de unir as obras que a filha já havia produzido para montar um livro, ele foi surpreendido. “Quando fui falar com ela, ela me surpreendeu, dizendo que já havia enviado para a editora e que estava por assinar o contrato”, contou Carlos, que expressou seu orgulho enquanto pai. “Pai é suspeito para falar, porque imagina o orgulho que a gente tem dos filhos. Eu brinco que eu ganhei dois presentes agora esse ano, um que um foi a formatura dela no curso de letras, e o outro é estar lançando um livro.”
JÁ FOI NOTÍCIA NO IMPRESSO



