Orientações atingem um grande público masculino Foto: Divulgação
Este mês de agosto será voltado, em Candiota, a ações da campanha Agosto Lilás por parte da a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. Isso porque estão acontecendo palestras em escolas e empresas visando à prevenção da violência, à informação de qualidade e ao fortalecimento da rede de proteção.
A campanha Agosto Lilás nasceu com o objetivo de alertar a população sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Em 2026 a o Agosto Lilás possui um marco de destaque, os 20 anos da Lei Maria da Penha (11.340/06), que visa proteger as mulheres contra as violências que acontecem no convívio doméstico, no âmbito familiar ou em relações íntimas de afeto, prevendo como medidas protetivas o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato, a transferência da vítima e de seus dependentes a um abrigo especializado ou a inclusão em programa oficial de proteção.
AÇÕES EDUCATIVAS
Ao TP, a secretária de políticas públicas para as mulheres de Candiota Juliana Baumhardt, explicou sobre as ações previstas para o mês. “Já começamos a realizar palestras, são ações educativas e de conscientização em diferentes espaços do município, divulgação dos canais de denúncia e dos serviços disponíveis, atividades de orientação sobre os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha, além de momentos de diálogo com a comunidade e com os órgãos que integram a rede de atendimento”.
Conforme a secretária, há também a pretensão de intensificar a aproximação com as mulheres que residem nos assentamentos, na área rural e em localidades mais distantes da sede. “Em um município com grande extensão territorial, é fundamental que a política pública vá até essas mulheres, levando informação, acolhimento e orientação sobre seus direitos. Precisamos que cada mulher saiba identificar uma situação de violência, conheça os canais pelos quais pode pedir ajuda e compreenda que não precisa enfrentar essa realidade sozinha”, destacou.
IMPORTÂNCIA DA CAMPANHA
Questionada sobre a importância do mês de referência para os trabalhos da pasta, Juliana destaca a ampliação do debate público sobre a violência contra as mulheres, permitindo que informações fundamentais alcancem pessoas que, muitas vezes, ainda não reconhecem que estão vivendo uma situação de violência.
“É importante destacar que a violência não se limita à agressão física. Ela também pode ser psicológica, moral, sexual e patrimonial. Muitas mulheres convivem durante anos com ameaças, humilhações, controle financeiro, isolamento, perseguições e outras formas de violência sem compreender que essas condutas também constituem violações de direitos. Como gestora da Secretaria da Mulher, entendo que o Agosto Lilás não pode ser apenas uma campanha pontual. Ele deve servir para fortalecer um trabalho permanente de prevenção, acolhimento, autonomia e articulação da rede de proteção”, frisa a secretária, acrescentando que o mês também permite chamar toda a sociedade à responsabilidade. “O enfrentamento da violência não é uma obrigação exclusiva da vítima ou dos órgãos de segurança. É um compromisso coletivo, que envolve o poder público, as famílias, as escolas, os serviços de saúde, a assistência social, as empresas e toda a comunidade.”
RESULTADOS
A secretária candiotense afirmou ao jornal que as ações de conscientização produzem resultados importantes, especialmente no acesso à informação, na identificação precoce da violência e na procura pelos serviços de proteção. Entretanto, segundo Juliana, é necessário ter cautela ao relacionar diretamente uma campanha à redução dos índices criminais divulgado, tendo em vista a necessidade de uma análise técnica de dados oficiais ao longo de determinado período e que considere fatores sociais, econômicos e institucionais. “Em alguns momentos, o aumento dos registros policiais pode representar não necessariamente um crescimento da violência, mas uma maior confiança das mulheres para denunciar situações que antes permaneciam ocultas. Quando a rede se torna mais conhecida e acessível, as mulheres passam a procurar ajuda e a romper o silêncio”, frisou.
A gestora ainda alertou que a redução efetiva da violência depende de um conjunto permanente de medidas “– prevenção, educação, atendimento humanizado, segurança pública, responsabilização dos agressores, acompanhamento das vítimas e políticas que promovam autonomia econômica e social.”
“Por isso, nosso trabalho em Candiota não se limita à realização de campanhas. Buscamos construir políticas contínuas, fortalecer a rede de proteção e desenvolver projetos de geração de renda e autonomia, porque sabemos que muitas mulheres permanecem em relações violentas em razão da dependência financeira e da ausência de uma rede de apoio”, finalizou a secretária.
JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO



