VIOLÊNCIA

Vítima de agressão em Pinheiro Machado é encontrada sem vida em sua casa

Rubens tinha apenas 29 anos Foto: Facebook/Arquivo Pessoal

O jovem Rubens Ribeiro Pereira, de 29 anos, foi agredido por um grupo de pessoas na madrugada do feriado de Finados, no último dia 2 de novembro. Rubens foi encontrado nesta quinta (5) sem vida em sua casa e tudo leva a crer que se trata de um suicídio

A comunidade de Pinheiro Machado já vinha muito chocada e abalada pelo episódio de agressão contra o jovem de 29 anos, Rubens Ribeiro Pereira, ocorrida na madrugada do feriado de Finados, no último dia 2, na rua Nico de Oliveira, no centro da cidade. Com uma nova notícia isso somente piorou.

Na ocasião, conforme imagens de câmeras de segurança, que já estão de posse da Polícia Civil de Pinheiro Machado, um grupo de pessoas – tendo suspeita de haver menores envolvidos, agrediu a vítima, que ficou desacordada por alguns minutos na calçada.

O delegado Guilherme Fagundes Nunes, que é o titular da Delegacia pinheirense e que está conduzindo o inquérito, confirmou ao TP, que Rubens foi encontrado sem vida no pátio da sua casa e a suspeita é que se trata de um suicídio.

Em conversa anterior com o jornal, o delegado relatou que Rubens tinha problemas de saúde mental e estava bastante abalado com o ocorrido, tanto psicologicamente como fisicamente, mas que não corria risco de morte em função dos ferimentos da agressão. Ele chegou a prestar depoimento na DP.

Guilherme destaca que a Polícia segue empenhada em elucidar o caso, lembrando que as cenas mostradas nos vídeos são de muita violência. “O caso é prioridade e a polícia está fazendo a sua parte naquilo que virou uma tragédia ainda maior”, resumiu o delegado.

O jornal não conseguiu apurar onde e quando será o velório e o sepultamento.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O promotor Adoniran Lemos Almeida Filho conversou com o TP, antes da morte de Rubens. Na ocasião ele disse que já tinha mantido contato com o delegado Guilherme e que estava preocupado com a situação da vítima. O promotor naquele momento assinalou que o MP havia pedido uma conversa com a curadora do jovem agredido, para saber se ele estaria precisando de algum auxílio.

Em nova conversa com o jornal após a morte de Rubens, Adoniran disse que iria manter a conversa com os familiares.

CONSELHO TUTELAR

O Colegiado do Conselho Tutelar de Pinheiro Machado enviou na tarde desta quinta-feira (5) ao TP – portanto antes da morte de Rubens, uma nota de esclarecimento em relação aos fatos, pois há suspeita de que menores estejam envolvidos na ocorrência de agressão. “O Conselho Tutelar ressalta que toda e qualquer forma de violência deve ser repudiada, independentemente de quem sejam os envolvidos. A integridade física, psicológica e moral de todas as pessoas deve ser respeitada e preservada. É importante destacar que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Isso, entretanto, não significa ausência de responsabilidade por suas atitudes, mas exige que qualquer situação seja tratada com orientação, responsabilidade, proporcionalidade e respeito às garantias legais. Da mesma forma, eventuais condições de saúde mental devem ser consideradas com humanidade, respeito e atenção, jamais servindo de motivo para discriminação, exposição ou violação de direitos. O Colegiado também manifesta preocupação com julgamentos precipitados, comentários ofensivos e exposições públicas que possam comprometer a imagem, a dignidade e o desenvolvimento dos adolescentes envolvidos. O ECA, especialmente em seus artigos 17, 18 e 143, estabelece garantias fundamentais de proteção e preservação da identidade”, reforça a nota.

Por fim, a nota destaca que o Conselho Tutelar possui atribuições específicas previstas no artigo 136 do ECA, atuando na defesa e garantia dos direitos de crianças e adolescentes, dentro dos limites de sua competência legal, sem exercer funções de investigação policial ou julgamento de responsabilidades. “Por fim, destacamos que um episódio isolado não deve servir para definir a índole, o caráter ou toda a trajetória de um adolescente. É necessário responsabilizar quando cabível, orientar, educar e, acima de tudo, compreender que estamos falando de pessoas em formação, que necessitam de limites, acompanhamento familiar e compromisso de toda a sociedade. A proteção integral não significa defender erros, mas garantir que direitos sejam respeitados e que a responsabilização aconteça dentro da lei”, finaliza a nota.

COMO VAI VOCÊ?

O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em São Paulo em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópi­ca, reconhecida como de Utilidade Pública Federal desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e preven­ção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar – sob total sigilo e anonimato.

Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24h e sem custo de ligação) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail. Nestes canais, são realizados mais de dois milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 3,4 mil voluntários, localizados em 24 estados mais o Distrito Federal.

Em todos os municípios da região há serviços gratuitos de apoio a saúde mental, bastando a pessoa se dirigir a uma unidade básica de saúde (UBS) mais próxima.