ESPECIAL ABRIL AZUL

No caso de autistas, psicóloga destaca que família e terapia precisam estar integradas

Nas relações sociais, nem sempre é possível ter uma boa comunicação, interações fáceis de lidar ou até mesmo manter comportamentos ditos adequados pela sociedade em geral. Mas já pensou apresentar atrasos na linguagem, conviver com expressões faciais e gestos que nem sempre condizem com o seu sentimento, não conseguir se comunicar através da fala, ter inquietude e falta de habilidades? É desta forma que vivem muitas pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fazendo com que muitas realidades familiares sejam diferentes das demais.
Pensando nessas pessoas e famílias foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) a campanha Abril Azul, fazendo referência ao mês de conscientização do TEA que tem dia destacado como marco oficial da campanha o 2 de abril, visando promover conhecimento, reduzir o preconceito e incentivar a inclusão de pessoas autistas.
Para marcar o mês e visando também levantar questões acerca da conscientização do Transtorno, o TP conversou com famílias com filhos diagnosticados com autismo, com uma estudante universitária, uma psicóloga para entender o outro lado da realidade e com a Secretaria de Educação de Candiota para destacar ações realizadas em busca da inclusão desse público.

Além de mostrar as dificuldades enfrentadas pelas famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o TP também conversou com a psicóloga Caroline Hösel Porto que atende no Centro de Reabilitação e Apoio (CRA) de Candiota para mostrar também acerca das responsabilidades e atuações necessárias por parte das famílias de crianças autistas.

Caroline Porto atende crianças no CRA de Candiota Foto: Divulgação

Segundo a psicóloga, há alguns estágios, sendo o primeiro, a procura por atendimento e a aceitação do diagnóstico. “A escola e nós profissionais ao fazer certas atividades notamos certos comportamentos e falta de interação que não são de crianças típicas, ditas normais. Muitas vezes a família não aceita naquele primeiro momento a suspeita, o que é normal, é o chamado período de luto. Mas é necessário muito cuidado para que a situação da criança não regrida ainda mais pela demora na procura por auxílio especializado. É preciso ter consciência de que aceitando ou não, a criança vai precisar de ajuda, principalmente dependendo do nível de suporte, se é o um, dois ou três no caso do autismo. O um não necessita de tanto suporte, mas o dois ou três, que geralmente são os autistas não-verbais, que não falam, é necessária uma intervenção mais avançada”, explicou Caroline.

A psicóloga a importância de seguir as orientações necessárias para um melhor desenvolvimento da criança. “Tudo que é orientado em terapia a família precisa procurar fazer porque a terapia é 45, 50 minutos e a criança não pode ficar sem estímulo posterior, principalmente na primeira infância a criança precisa ter estimulação precoce, o cérebro da criança está em formação, é como se fosse uma esponjinha que vai absorver tudo. Cada criança tem seu tempo, mas não podemos deixar de ficar atentos e fazer os estímulos necessários”, lembrou.

VITIMIZAÇÃO

A psicóloga afirmou ser importante não se deixar levar pela vitimização ou querer terceirizar responsabilidades. “As famílias não podem pensar que o profissional vai resolver o problema da criança. Claro que não são todos, mas muitos pais estão terceirizando as responsabilidades. Não é só levar na terapia, atendimento que deve ser contínuo, mas seguir de forma correta as orientações repassadas. Muitas vezes vemos as famílias acharem que pelo filho ter um laudo de autismo, ou TDAH, ou TOD, por exemplo, que a criança não pode ter limites ou regras. Ela precisa ter regramentos, assim como nem todos aos autistas, por exemplo, vão necessitar todo o tempo de monitor em sala específico pra ele. Ter o direito não quer dizer necessidade total”, lembrou Caroline.

A profissional reforçou a importância de um tratamento e acompanhamento regrado. “Muitos casos ocorrem dos pais exigirem direitos e não cumprirem seus deveres enquanto responsáveis pela criança. Os atendimentos precisam ser constantes e as crianças assíduas para que não ocorram regressões. É preciso comprometimento e conscientização das responsabilidades, que não devem cair somente nos profissionais e na escola”, finalizou.

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