ICMS dos municípios e a Educação II

Recentemente tratei da relevante relação entre a educação municipal e seus indicadores com a receita do município ou da prefeitura como muitos costumam falar. A equipe do jornal providenciou uma matéria muito qualificada trazendo para o assunto a posição de quem ficou bem na região, de quem não ficou bem e as razões que uns tinham para festejar e as ações que outros se propunham a fazer para não repetir dados negativos tão relevantes no IMERS – índice municipal de educação dos municípios do Rio Grande do Sul.

Se Candiota, IMERS 34,3776, ficou na posição 496º entre 497 municípios do Estado do Rio Grande do Sul, Hulha Negra não ficou melhor de forma significativa – uma vez que sua posição 434º, IMERS 51,7593, é bem pouquinho melhor que a de Candiota e a oitava pior entre os 10 municípios citados. Destaque para Piratini que ficou em 92º, com IMERS 71,8009 – o único dos 10 municípios da região com indicador superior à média dos municípios do Rio Grande do Sul, que é de 63,44.

Minha proposta é levar ao leitor uma coluna técnica e deixar que o leitor faça suas análises, daí que normalmente não procuro culpar esse ou aquele pelos resultados. Mas me chamou a atenção na matéria feita pelo jornal os responsáveis pelas secretarias que se deram bem, Piratini, e razoavelmente, um pouco abaixo da média estadual, Herval, argumentando como chegaram a bons resultados. De certa forma é uma direta aos que ficaram mal posicionados.

O que faz uma equipe responder adequadamente é a administração

Faz muito tempo que eu escrevo que um dos grandes problemas da educação é que secretarias de educação não são administradas por administradores, mas por professores, que muito pouco entendem de administração, até porque não estudaram para serem administradores.

Também tenho escrito reiteradamente que o que não falta no Brasil é dinheiro para a educação, nem para pagar bons salários aos professores, o que por si só não resolve nada. Se salários todos os problemas resolvessem, Candiota teria uma das melhores notas do Estado, assim como Porto Alegre, onde o IMERS também é muito baixo.

Em Hulha Negra é fácil entender porque em 2024 o IMERS deu no que deu. Basta entrar na Universidade Aberta do Brasil (UAB), na Biblioteca Pública Municipal e ver que os computadores, a maioria, são do tempo em que eu era prefeito. E não sou prefeito desde 2008. E nem a sala de computadores que eu deixei no Monteiro Lobato existe mais.

Acredito que os gestores municipais precisam ir além do discurso das campanhas políticas onde falam que vão dar prioridade à educação. Ninguém é o que fala. É o que faz.

Enquanto o mundo civilizado está se adequando rapidamente à era da inteligência artificial, continuar educando como no tempo de nossos avós é quase uma perda de tempo e uma condenação a uma juventude que deveria encontrar na escola uma perspectiva de futuro.

O futuro não virá nem dos prefeitos, nem dos vereadores, nem dos professores. Enquanto pais e alunos não se derem conta de que tem o dever de exigir educação de qualidade, tudo continuará na mesma. A sociedade precisa receber o que é seu por direito e não por favor.

Os pais devem muito bem cuidarem da educação de seus filhos. E também é dever de um aluno ser o melhor possível para aproveitar o dinheiro público investido na sua educação.

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

Comentários do Facebook