Jamais tive pretensões de ser um escritor, insignificante que fosse, porém, gosto de escrever. Encontro dificuldades de tempo às vezes para dedicar-me a esta tarefa, e peco em consequência, pela falta de assiduidade nos meus artigos a este brioso informativo.
Nosso cotidiano tanto pode ser trivial, quanto fantástico, dadas as surpresas que o mundo nos oferece a cada momento da vida. Por vezes, diante da falta de temas mais coerentes, não consigo recorrer por exemplo, ao ficcional, não tenho essa criatividade, e me penitencio por isso. Fico a imaginar a reação do leitor assombrado com a minha incapacidade de inventar, o que me faz desistir da hipótese.
Já recorri às reminiscências de minha infância, já busquei inspiração em personagens do meu dia a dia, alguns silenciosos e quase “invisíveis” para a maioria das pessoas, outros sombrios e fatídicos, além daqueles tristonhos e quase sem vida, todos eles ao meu redor, os enxergo quase que diariamente, embora eles não saibam que servem para causar efervescência em minhas minguadas ideias.
Mas é inegável que escrever é uma das melhores terapias, um prazer diferenciado de abordar vários exemplos de diversidade de pensamento, de temas e de formatos capazes de disseminar informação com coerência, e isso é fundamental e basilar para a arte da escrita.
Há prazeres na vida que se consumam escrevendo poemas, compondo músicas, atuando em peças teatrais, filmando obras de ficção, fotografando as maravilhas do mundo, enfim, trata-se de uma imensa lista de atividades, e o digo para que possam entender das possibilidades de cada pessoa.
Nesse contexto, deduzo sobre o fracasso que às vezes aborta nossos planos e trajetórias, pode servir sim, para nos liberar no sentido de explorar livremente a linguagem, situação esta, que reclama sabedoria e ponderação, pois o papel, tudo aceita.
Aprecio muito debruçar-me sobre os sentidos e mistérios da existência, atravessando a claridade e a nitidez do cotidiano, na busca de tentar compreender o que constitui uma vida para além da epiderme da realidade.
Trago lugares emprestados da minha memória que nunca se apagaram, estão vivos como se eu estivesse vendo-os com frequência diária, tanto que, chego a sonhar inúmeras vezes com eles.
A minha cidade que por vezes sugere tristeza, é para mim, o melhor lugar do mundo. Por mais que eu possa me distanciar, sempre volto a este lugar com saudades e muito prazer.
Mas, embora tente me esmerar durante todo este trajeto, encontro as dificuldades de um raciocínio tomado pelas novidades tecnológicas que nos absorvem aos tempos atuais, e que na minha despretensiosa opinião, estão matando a nossa criatividade, especialmente, a criatividade da geração jovem do mundo, inundado por artificialismos que amassam ao humanismo, e o digo com tristeza imensa.
Estes são os “fantasmas” em forma de obstáculos e delírios que giram no cérebro de quem tenta escrever por puro prazer e gosto, cuidando para não se tornar enfadonho ao leitor, e ao mesmo tempo, tentando passar uma mensagem de conteúdo prático e objetivo.
Já dizia o poeta lírico e cantor Belchior: “A minha alucinação é suportar o dia a dia, e meu delírio a experiência com coisas reais.”
Em resumo, e para fazer jus ao título deste artigo, me vejo como um narrador desconfiado de si próprio.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO



