A semana ficou triste desde a manhã da última terça-feira (3), quando a notícia da morte de Sérgio Antônio Görgen, o nosso Frei Sérgio, chegou a todos nós. Se sabia claramente da grandeza dele, porém com sua partida isso se revelou de uma forma maior e vigorosa.
Assim que a informação de sua morte foi se alastrando, um Brasil de sul a norte foi se manifestando. Lideranças importantes de todo o país, assim como os principais meios de comunicação brasileiros noticiaram a sua morte. Basta ver que o presidente Lula dedicou um importante texto para homenagear seu amigo pessoal.
Frei Sérgio foi daquelas pessoas que veio ao mundo para causar. Desde cedo escolheu um lado e você leitor pode divergir disso, porém jamais vai poder dizer que ele foi um covarde diante das injustiças do mundo. Pelo contrário. Frei Sérgio, muitas vezes até flertando em desobedecer certos dogmas ou regramentos do catolicismo – ao qual era hierarquizado, jamais se furtou de mostrar seu posicionamento e na grande maioria deles, com fundamento teórico, bastando ver sua lista de escritos e livros.
Contudo e especificamente para a região, além de uma série de contribuições, Frei Sérgio deu uma demonstração não apenas de entendimento político, mas sinceramente, de amor a esta terra. Quando ele se entregou à defesa da continuidade das atividades da indústria do carvão em Candiota, aliado a uma transição energética justa e inclusiva, num exercício que lhe custou, temos certeza, horas de articulação mental e teórica, foi e deve ser reconhecida, como uma das suas maiores contribuições e compreensões históricas para a nossa região.
Como escrito nesta edição e desde o seu falecimento, é muito fácil ver o tamanho da vida de Frei Sérgio e sua grande contribuição às causas sociais, aos mais pobres e à luta pela terra. Tudo isso de uma nobreza sem fim e que o fez gigante, como podemos verificar.
Porém, quando ele cerrou fileiras na luta pelo carvão mineral e de uma transição justa, ele precisou estar muito calçado ideologicamente para enfrentar o contraponto, pois Frei Sérgio era um ambientalista reconhecido nacionalmente, especialmente pela sua defesa da agroecologia. Mas a sua capacidade de enxergar além, não o colocou em contradição e incoerência.
Porém, quando ele cerrou fileiras na luta pelo carvão mineral e de uma transição justa, ele precisou estar muito calçado ideologicamente para enfrentar o contraponto, pois Frei Sérgio era um ambientalista reconhecido nacionalmente, especialmente pela sua defesa da agroecologia. Mas a sua capacidade de enxergar além, não o colocou em contradição e incoerência. Ao conseguir aliar sua consciência ecológica com a necessidade de uma transição justa na região, Frei Sérgio foi cirúrgico. E não temos dúvida, que isso foi decisivo para que o governo Lula tomasse a decisão de sancionar a prorrogação por mais 15 anos as atividades da Usina de Candiota.
Como ele mesmo se descreveu em carta divulgada na semana passada, quando havia completado 70 anos, não era um ser humano perfeito, porém, como já dito, com consciência e sabendo de que lado da história estava. “Por isto cheguei aos 70 anos meio assim, bruto, sincero demais, teimoso, xucro, irreverente, fora dos prumos estabelecidos, mas disposto e esperançoso na força do amor e da vida, pedindo sempre a Jesus e aqueles com quem caminho nas empreitadas da vida, que me farquejem e corrijam, para que meus muitos defeitos não sejam mais salientes que a Graça de Deus. Continuo acreditando na força do povo organizado, uma das expressões mais vigorosas da Graça e das Benções divinas”.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


