CRISE NA SAÚDE

Segundo Sindicato, médicos da Santa Casa de Bagé deliberam por greve

Medidas definidas na Assembleia Geral Extraordinária entram em vigor na segunda-feira (15)

A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) na última segunda-feira (8), com médicos que atuam na Santa Casa de Bagé, determinou a suspensão de atendimento na instituição de saúde a partir da próxima segunda-feira (15). Há médicos com nove meses de atraso no pagamento das remunerações. A Santa Casa de Bagé acumula dívidas que alcançam R$105 milhões.

A determinação é pela interrupção de 100% nos ambulatórios destinados a atendimentos eletivos, e 100% nas cirurgias eletivas, ou seja, procedimentos e atendimentos médicos programados, sem caráter de urgência ou emergência, que permitem agendamento prévio. Além disso, haverá restrição de 40% dos atendimentos ambulatoriais em áreas consideradas essenciais, com manutenção exclusiva dos casos indispensáveis, especialmente na área de oncologia.

Serão preservados integralmente os serviços de urgência e emergência, bem como os tratamentos oncológicos já iniciados e demais situações cuja interrupção possa representar risco assistencial aos pacientes. A medida visa evitar um prejuízo maior à população, mesmo diante da agravada situação financeira. Os médicos da Santa Casa de Bagé seguirão em assembleia permanente, podendo voltar a se reunir em nova AGE para a decisão de novas deliberações.

O diretor do Simers da Região Fronteira Oeste, Felipe Cunha, destacou o longo tempo pelos quais os médicos mantiveram o atendimento mesmo com os atrasos no salário. “Há um passivo muito alto, difícil de ser pago em curto prazo, que cresceu pelos profissionais terem acreditado numa solução e seguirem por meses e meses mantendo o hospital funcionando. Mas ninguém trabalha sem receber indefinidamente”, enfatizou.

Durante a AGE, médicos relataram o agravamento da situação financeira da Santa Casa de Bagé. Além dos atrasos, citaram a ausência de previsibilidade de pagamento, desgaste profissional e repetidas tentativas de conversação sem que uma solução concreta seja oferecida.

Ficou estabelecido, ainda, que eventual negociação isolada com grupos específicos de profissionais não implicará a suspensão ou encerramento do movimento coletivo. Somente uma nova Assembleia e nova deliberação da categoria poderá modificar medidas aprovadas.

O Tribuna do Pampa entrou em contato com a assessoria de comunicação da Santa Casa, que informou que a direção da instituição deve se pronunciar em breve sobre o assunto.

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