Grupo estreou na última sexta-feira (3) com nova indumentária, que foi conquistada através de serviços prestados pelos integrantes, como bingos e rifas Foto: Divulgação
“Quanto vale a vida de um homem valente e de bem?”. Essa é a pergunta que norteia a invernada adulta do CTG Luiz Chirivino desde 2019. Retratando a história de Adão Latorre – O Degolador, os dançarinos, sendo 18 prendas e 14 peões, retomam suas atividades com elenco adulto em 2026.
“Inspirada na versão popular transmitida por gerações na Campanha, a coreografia retrata a dor de um homem que teria perdido sua família em meio aos conflitos da Revolução Federalista e que, consumido pelo desejo de vingança, transformou-se em uma das figuras mais temidas daquele período”, destaca o elenco em uma de suas postagens no Instagram.
Coreografada por Alex Balaka, a temática já foi utilizada pela invernada anteriormente, e após 7 anos, a história que é símbolo regional, ressurge com um novo elenco.
ADÃO LATORRE
Adão Latorre era uruguaio e nasceu no Departamento de Rivera. Aos 16 anos já era cabo e dois anos depois foi promovido a sargento. Em 1880 se tornou sargento-major. Nesta altura já era casado e tinha dois filhos. Na mesma década, mudou-se para a localidade de Olhos d’Água, no interior de Bagé, para trabalhar na estância da família Tavares, sendo acompanhado por um pequeno grupo de peões oriundos de Corrientes.
Em 3 de fevereiro de 1893, dois dias antes de estourar a Revolução Federalista, Latorre foi promovido a tenente-coronel e juntou-se ao general Zeca Tavares, ao qual já havia servido. Latorre entra para a história gaúcha quando, sob o comando de Zeca Tavares, combatentes federalistas (maragatos) e republicanos (pica-paus), comandados pelo general Isidoro Fernandes, se enfrentaram durante sete dias às margens do Rio Negro, na área da atual Hulha Negra. Diz a tradição que nesta ocasião Latorre degolou cerca de 300 prisioneiros. No entanto, essa versão parece ser um mito, pois testemunhas oculares, assim como registros dos oficiais maragatos, contam que a maioria dos prisioneiros já estava de fato morta, tendo sucumbido durante a batalha, sendo degoladas em torno de 30 pessoas.
Para o atual patrão do CTG e também dançarino, Marcelo Dutra, o retorno da temática reforça a importância de manter viva a história regional. “Adão Latorre não é lenda, ele é história na nossa região”.
TRAJETÓRIA
Em 2019, a temática foi lançada e o elenco dançou o maior festival de arte amadora da América Latina, o ENART. Após isso, o grupo acabou se separando, por função também da pandemia do Covid-19. Um vídeo foi produzido neste ano, que foi lançado nas redes sociais da entidade, e foi desta forma que a temática foi revelada.
Na produção, o Latorre, interpretado por um dos dançarinos, responde a pergunta inicialmente feita por um dos degolados, e apresentada no início desta matéria: “A vida de um homem valente e de bem vale muito. Mas a tua não vale nada, e tá no fio da minha faca”. O vídeo completo pode ser visto no Instagram @adulta.hc.
Ao longo dos últimos anos, a entidade já teve algumas invernadas adultas, mas segundo Marcelo, era uma união com o elenco juvenil. Em 2026, são poucos os jovens que ainda não estão na categoria adulta.
“A proposta de reativar a invernada adulta veio após o meu retorno para o CTG, o pessoal vinha trabalhando com uma invernada juvenil e com poucos pares, então quando voltamos para patronagem da entidade fizemos algumas reuniões e vimos que era possível de reativar a invernada adulta através da união dos que estavam subindo da juvenil com alguns adultos que queriam voltar”, relatou o patrão Marcelo, que assumiu o cargo em abril deste ano.
Para a dançarina Mikelly, que esteve envolvida no grupo em 2019 e retorna em 2026, a sensação é única, embora as dificuldades do cotidiano. “Eu estou muito feliz pelo simples fato de estamos retornando e com essa gurizada junto, temos a certeza da continuação. É difícil conciliar a vida profissional e de mãe, com a de dançarina. Mas quem corre pelo quer não cansa, então seguimos firmes no propósito”.
Com quatro meses de ensaio, o foco do grupo, que está sob comando dos instrutores Lidiano Pereira e Kamilly Flores e responsabilidade técnica de Ronaldo Estevo, é o Circuito da 18ª Região Tradicionalista (RT). A próxima atividade será em Vila Nova, uma das etapas do circuito.
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