ESPECIAL 190 ANOS DA PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA RIO-GRANDENSE

Os 190 anos da República Rio-grandense e a Batalha do Seival

Surge um novo país no Sul Foto: Divulgação

Há 190 anos, em 1836, a economia da então província de São Pedro do Rio Grande do Sul do Império do Brasil era voltada principalmente para a produção de charque e couro. A província tinha a sua produção para o mercado interno, do qual dependia inteiramente, mas com o câmbio sobrevalorizado e os benefícios tarifários então oferecidos, o charque importado tinha um custo inferior ao nacional. 

Insatisfeitos, os estancieiros da região iniciaram uma rebelião contra o Império do Brasil, e, no dia 10 de setembro de 1836, ocorreu a Batalha do Seival. Com a vitória dos revoltosos, liderados por Antônio de Sousa Neto, a ideia separatista tomou forma e no dia seguinte, em 11 de setembro, o general proclamou a República Rio-Grandense. 

A Batalha do Seival foi um conflito militar que ensejou a proclamação da República Rio-Grandense por Antônio de Sousa Neto. O embate aconteceu nos campos dos Meneses, cruzando o arroio Seival, localidade de Candiota.

Com o objetivo original de derrubar o presidente da província, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Durante a tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os revoltosos defenderam-se usando lanças e espadas.

Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos gaúchos quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneiros estava o militar João Frederico Caldwell, que serviu sob o comando de Bento Gonçalves.

Após a Proclamação da República Rio-Grandense em 11 de setembro de 1836, a Guerra dos Farrapos entrou em uma nova fase institucional e militar, durando quase mais nove anos até terminar em 1845. O novo Estado separatista organizou seu governo, enfrentou derrotas e vitórias militares, e expandiu temporariamente suas fronteiras antes de ser reincorporado ao Império do Brasil.

O principal líder farroupilha estava preso na Ilha do Fanfa após um revés militar logo após a proclamação. Mesmo detido, foi aclamado presidente da República em novembro de 1836, sendo substituído provisoriamente por José Gomes de Vasconcelos Jardim até conseguir fugir da prisão e retornar ao sul em 1837.

O governo instalou-se de forma mais estruturada na cidade de Piratini (o que deu ao novo país o apelido de República de Piratini), onde criaram símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, e elaboraram constituição e gabinetes de ministros. 

Em 1839, os farroupilhas avançaram para Santa Catarina e tomaram Laguna, proclamando a República Juliana em aliança com os revolucionários locais, liderados por David Canabarro e Giuseppe Garibaldi. No entanto, essa república irmã durou apenas alguns meses.

As negociações de paz avançaram e culminaram na assinatura da Paz de Poncho Verde em 1º de março de 1845.

A República Rio-Grandense foi dissolvida, e o Rio Grande do Sul retornou ao status de província do Império brasileiro, com garantias de anistia aos combatentes, incorporação de oficiais farroupilhas ao exército imperial e proteção alfandegária ao charque gaúcho. 

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