A violência e o controle do território

Nas últimas três semanas abordei temas de relevância nacional capazes de influenciar as eleições deste ano: a taxa Selic, a incompetência, a corrupção, a distribuição da riqueza, e hoje vou tratar da violência e do controle do território que está intimamente ligado à violência.

A violência é um tema complicado e muito difícil de resolver. O controle de territórios também.

Moro perto do bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, base do grupo conhecido como ‘Bala na Cara’ e um dia desses, num posto de gasolina próximo do bairro em pauta, esperando para liberarem o equipamento de calibrar pneus, conversei um tempo com um motorista de táxi, membro do grupo. Ele me disse que eu ficasse tranquilo de morar ali, que era uma região que ‘nós protegemos’, ainda que não seja no bairro, por ser próximo. “Bom mesmo se quiser ficar tranquilo é morar na Bom Jesus, que ali não tem problema, quem cria problema a gente apaga”. Continuou falando que nessas de ser taxista foi assaltado cinco vezes, “dois eu já mandei pro inferno” e os outros três mais dia, menos dia eu encontro”. Acrescentou, “só não põe o teu negócio por aqui se não quiser ser um dos nossos. Se colocar vai ter que fazer parceria ‘conosco’ e depois de ser parceiro nunca mais poderá deixar de ser parceiro”. Não sei se era um falastrão, nunca mais o vi, mas tomei por verdadeiras as suas palavras.

A violência e o controle dos territórios estão institucionalizados em várias regiões do país.

Fui assaltado por dois indivíduos numa moto, com revólveres, o que não é nada agradável. Em outra ocasião me roubaram um automóvel que não consegui reaver, e se eu ficar contando quantas vezes me passaram a perna não vai ter espaço que chegue nesta coluna para ficar contando. Mas não sou daqueles que ficam atormentados por uma violência que ocorre sabe-se lá quando e de que maneira.

Nas cidades pequenas o problema parece menor, nas cidades grandes ficam mais evidentes porque, onde há dinheiro, há ladrão. E onde há território para ser conquistado entre os humanos vale a lei da selva, os grupos que podem mais dominam mais territórios.

Um dos maiores problemas do Brasil é que a corrupção e a violência estão dominadas pelas elites que controlam o país. Estão nos governos, nos parlamentos, nas rodas onde uns quantos dos mais ricos se encontram e decidem como vai andar a carruagem.

– Vai querer que o Lula acabe com a corrupção que promove violência para manter benesses dos grupos organizados que controlam os territórios?

– Vai querer que o Bolsonaro filho acabe com a corrupção que promove violência para manter benesses dos grupos organizados que controlam os territórios?

Há coisas com as quais é melhor não perdermos tempo.

– Será que alguém acredita que com a polícia do Rio de Janeiro vão mudar os problemas do Rio de Janeiro?

A violência e o controle dos territórios estão institucionalizados em várias regiões do país. 

Muito se fala em asfixiar os braços econômicos dos grupos, com uso de inteligência para detectar a origem dos dinheiros. Enquanto os comandantes ricaços continuarem livres não vejo motivos para acreditar que alguém vai mudar este cenário em poucos anos.

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