Cuidados na propriedade envolvem toda família, inclusive os netos (foto) Foto: Divulgação
Naturais de Redentora, na divisa com Santa Catarina, o casal Cenibaldo Fernando Schmidt (Neco) e Elaine Carmem Schmidt, atuais moradores do assentamento 8 de Agosto, interior de Candiota, conquistaram o marco de, pelo segundo ano consecutivo, ter ovelhas que deram luz a quadrigêmeos. Neco relatou que os cuidados com os animais envolvem atenção, cuidado e carinho.
Neco e Elaine contaram ao jornal que chegaram ao município na década de 1990, e que cuidam na propriedade de diversos animais, como galinhas, abelhas para produção de mel e ovelhas. Atualmente o casal possui cinco filhos: Claudia, Marcos, Marcelo, Carla e Mateus. “Toda família sempre esteve muito envolvida, acredito que dentro da pequena propriedade, somos muito diversificados”, relatou Neco.
Questionados sobre os cuidados com os ovinos, Neco e Elaine falaram sobre o carinho e atenção na criação dos animais. “Até o meio dia deixo elas perto de casa, depois solto para a pastagem”, comentaram.
Com muitas risadas e cuidados, os animais são cuidados pela família Foto: Divulgação
Outro fator que é um diferencial está no fato de que as raças das ovelhas que tiveram quádruplos não eram as mesmas. “A do primeiro ano era da raça Corriedale e agora Ideal”, informou Neco.
QUADRIGÊMEOS
A situação é considerada rara, mas não impossível, conforme explicou ao TP a zootecnista Marina de Vasconcellos. “O comum das ovelhas é terem gêmeos, isso se justifica até na anatomia no animal, que possui duas tetas, ou seja, com quatro cordeiros se torna inviável alimentar todos simultâneamente”.
Ainda, Marina explicou sobre a genética Booroola – uma mutação genética natural em ovinos que aumenta drasticamente a prolificidade (taxa de ovulação), resultando em partos duplos, triplos ou até quádruplos – trazida ao Brasil pela Embrapa Pecuária Sul.
“Essa genética não está ligada a raças específicas, ela foi se disseminando, o que permite que ela passe por cruzamento direto. Ela pode passar desde que o carneiro ou a mãe seja portador”, relatou a profissional.
Falando sobre o caso, Marina diz que uma das explicações pode estar relacionada a essa condição genética. “Pode ser que esse produtor, há muito tempo, tenha usado algum carneiro com essa genética e ela foi sendo repassada”.
A zootecnista informou sobre essa característica ser exclusiva da fêmea. “Muitas vezes o pessoal associa a troca de carneiro a esse fenômeno, mas como o animal responsável pelo número de fetos é a fêmea, na hora da ovulação ela vai maturar um, dois, três, quatro óvulos. E o volume do ejaculado do carneiro é sempre um volume alto de sêmen, de espermatozoides. Então não é o macho que manda quantos filhotes vão ser e sim a fêmea. Então essa é uma característica da ovelha. Muitas vezes compramos um macho que tenha essa genética, esperando que ele passe essa característica para as filhas dele, quando de fato vamos ver esse fenômeno acontecendo”.
“É um fenômeno legal, curioso. Mas sempre lembrando que essa maior produtividade vai exigir um maior cuidado nutricional e um maior cuidado de maneira geral com os animais. Mas é sempre uma alegria. Algumas raças podem ter isso como uma característica mais normal, principalmente as mais voltadas para a produção de carne, que são aquelas com uma prolificidade naturalmente maior.” finalizou.
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