ESPECIAL ABRIL AZUL

“Desde a escola pensava em fazer jornalismo”, conta acadêmica autista

Nas relações sociais, nem sempre é possível ter uma boa comunicação, interações fáceis de lidar ou até mesmo manter comportamentos ditos adequados pela sociedade em geral. Mas já pensou apresentar atrasos na linguagem, conviver com expressões faciais e gestos que nem sempre condizem com o seu sentimento, não conseguir se comunicar através da fala, ter inquietude e falta de habilidades? É desta forma que vivem muitas pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fazendo com que muitas realidades familiares sejam diferentes das demais.
Pensando nessas pessoas e famílias foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) a campanha Abril Azul, fazendo referência ao mês de conscientização do TEA que tem dia destacado como marco oficial da campanha o 2 de abril, visando promover conhecimento, reduzir o preconceito e incentivar a inclusão de pessoas autistas.
Para marcar o mês e visando também levantar questões acerca da conscientização do Transtorno, o TP conversou com famílias com filhos diagnosticados com autismo, com uma estudante universitária, uma psicóloga para entender o outro lado da realidade e com a Secretaria de Educação de Candiota para destacar ações realizadas em busca da inclusão desse público.

Tatiana Ollé está no primeiro semestre da faculdade Foto: Maria Leonora Lehr TP

A estudante universitária de Jornalismo do Centro Universitário da Região da Campanha – Urcamp, Tatiana de Vargas Ollé, 18 anos, é um exemplo de que o apoio familiar e a terapia, juntas, podem permitir muitas conquistas aos autistas com níveis, principalmente mais leves.
A jovem bageense, filha de Sílvia de Vargas Ollé e Ingrid Ercolani de Vargas Ollé (já falecida), atualmente cursa o primeiro semestre do curso de Jornalismo e faz da dificuldade um estímulo diário para a conquista do sonho idealizado desde mais jovem. “Desde o colégio eu pensei: vou fazer Jornalismo, ter uma câmera profissional”, contou ao Tribuna do Pampa.
Quando perguntada sobre as dificuldades na fase universitária, ainda mais em um curso que exige bastante integração e comunicação, a jovem diz que por ser autista sabe que tem dificuldade em fazer amigos e interagir, principalmente quando recebe alguma tarefa, mas que está surpresa e dando certo. “Minha maior dificuldade dentro do campo acadêmico é interagir, fazer amigos e conversar, mas quando eu entrei para o Jornalismo, eu fui bem acolhida, já me senti bem e isso me surpreendeu muito, pois não achava que seria dessa forma e está sendo muito bom. Estou muito bem, feliz aqui”, disse a futura comunicadora.
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