Gestão

Gestão é um tema que me sinto bem em abordar. O principal motivo é que de gestores se pode falar bem e mal sem problema algum. Se gestor público tivesse vergonha na cara não saia de casa, porque o que falam dele é uma grandeza, verdades ou fakes. Gestor público não precisa de psicólogo. Quem for dar bola para o que antigamente chamávamos de frescuras, que vá cantar de galo em outra freguesia, não como político profissional.
Daí que é interessante falarmos de gestão pública, uma vez que político não vai dar bola se acharmos que ele é suspeito, provavelmente incompetente, coisas do tipo. Num momento onde as pessoas acham que tudo as ofende, melhor ofender, se oportuno, algum político, pois certamente ele não vai dar a mínima para o ofensor.

Fui dar uma olhada no portal da transparência para ver os salários dos servidores do município de Hulha Negra. Descobri 99 professores ou 99 contratos de professores, não está muito claro. Considerando que o município tem uns 600 alunos, e olha lá, estão ganhando muito. Um contrato ou um professor dando aula em média para seis alunos, se ganhar um salário mínimo por 20h semanais está bem pago. Um salário mínimo e meio poderia ser melhor. A questão principal é que eu nunca consegui convencer professores e gestores, que quanto mais professores, menores são os salários dos mesmos. Numa escola privada, com desempenho muito melhor dos alunos que o desempenho dos alunos da rede municipal de Hulha Negra, colocam 600 alunos em 20 turmas. Ainda que o ideal seja 25 alunos por turma. Não falta dinheiro para pagar bem os professores. O que falta é gestores e professores entenderem um pouco de gestão pública.

(…) se estivesse na média seria ruim. O mediano é sempre ruim.

Aliás, a gestão pública municipal da educação na região apresenta números de preocupar muito qualquer pai ou mãe que se preocupe com o futuro dos seus filhos. Mas eu também não identifico pais e mães preocupados com isso.

Em Candiota, a lei municipal beneficia e muito os que não pagam suas contas em dia. Políticos gostam muito de leis do tipo. Eles só esquecem de indenizar os bons pagadores. O que parece bom, porque faz alguns regularizarem seus débitos, também é um incentivo aos bons pagadores não pagarem em dia.

Em Bagé o problema continua sendo as dificuldades financeiras da Santa Casa. Não é por falta de exemplo que a Santa Casa de Bagé e outras se encontram sempre em situação de penúria. Se rola dinheiro em educação (e rola muito), não falta dinheiro grosso em saúde pública. O problema é a gestão. A Santa Casa de Porto Alegre é um dos maiores e melhores hospitais da América do Sul. Será que não seria razoável alguém de Bagé tentar aprender com quem é sucesso? Fracasso qualquer um faz.

O jornal e esta coluna não têm interesse em falar mal das gestões municipais. Porém, há momentos em que a opinião precisa alertar. Segundo o IDESE, em 2021, em Hulha Negra, apenas 57 crianças de 0 a 3 anos estavam na creche. O total no município era 299. Com 4 a 5 anos na pré-escola eram 85% das crianças. Escolhi aleatoriamente um município que eu acho que tem dados melhores, Garibaldi. De 0 a 3 anos 1.022 crianças estavam na creche, de 1.483 no total. De 4 e 5 anos, 95,3% das crianças nas escolas. Não é por falta de professores que Hulha Negra tem IDESE Educação baixo. O IDESE Educação em Hulha Negra era 0,7. O IDESE médio do estado do Rio Grande do Sul em educação era 0,733. Se estivesse na média seria ruim. O mediano é sempre ruim. E o Rio Grande do Sul está longe de ser um dos melhores estados do Brasil em educação faz tempo.

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