O grande amor da minha vida

 

Chegando o dia da eleição mais importante da história do país não seria razoável que eu escrevesse uma história de amor convencional: o grande amor tem a ver com quem está com quem.

Esta semana foi aprovado o fim da escala 6×1 e começamos a tratar da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Eu sou a favor por duas razões. Quando comecei a trabalhar com carteira assinada em 1983, o meu contrato era de 40 horas semanais e cinco dias de trabalho por semana. Anos depois, em 1993, como prefeito de Hulha Negra, enviei a projeto de lei que se tornou lei municipal onde a jornada de trabalho na Prefeitura de Hulha Negra era e continua sendo 40 horas semanais e cinco dias de trabalho por semana. 

Alguém dirá ‘tudo bem, mas tu foi patrão administrando dinheiro público’. Exato. É exatamente por isso que como patrão eu tinha de ser muito mais responsável que eu seria se usasse o meu próprio dinheiro para contratar pessoas. E eu nunca tive dúvidas de que fiz o certo.

Devemos olhar sempre para quem são os melhores. E é aí que se estabelecem as minhas convicções. Nos Emirados Árabes Unidos, Islândia, Bélgica, Reino Unido, Holanda, Espanha, Escócia, Alemanha e Portugal ou já se trabalha menos de 40 horas por semana ou estão testando jornada de trabalho com quatro dias de trabalho. Em todos estes países a situação econômica da população é muito melhor que no Brasil. E trabalhando menos horas ganham muito mais que aqui.

Se não há lei que estabeleça as férias, qual patrão concederia férias? Se não há lei que estabeleça o Fundo de Garantia, qual patrão pagaria um dinheiro para o empregado se virar logo após ser demitido?

A redução da jornada de trabalho, proposta pelo governo Lula, vem no sentido de reduzir o quadro nacional de escravidão no qual ainda vivem muitos dos trabalhadores brasileiros que trabalham muito e ganham muito pouco. No Brasil, o que chamamos de direitos trabalhistas são resultados de leis que visam reduzir uma situação de escravidão típica. Se não há lei que estabeleça as férias, qual patrão concederia férias? Se não há lei que estabeleça o Fundo de Garantia, qual patrão pagaria um dinheiro para o empregado se virar logo após ser demitido? O patrão diria ‘pega o teu salário mínimo e guarda uma parte para ter reserva quando for demitido’. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) veio para acabar com a escravidão de negros e brancos que trabalhavam para os patrões da época. E não chegou sem luta contrária dos patrões, como ocorre até hoje.

Amplamente derrotado, com seu grupo de apoiadores no Senado, Flávio Bolsonaro (PL) votou a favor da nova escala e da nova jornada de trabalho. Projeto que já teria sido votado faz tempo se não tivesse a contrariedade do grupo deste candidato a presidente. E teve de ser votado agora porque se o candidato da extrema direita vencesse não seria aprovado após as eleições.

Toda imprensa brasileira sabe que Flávio Bolsonaro se comprometeu com os empresários a encaminhar uma nova proposta de emenda constitucional que vai dar novos rumos às relações de trabalho assim que for eleito. Cabe ao povo brasileiro, por maioria, decidir o que é melhor para a maioria do povo. A maioria do povo é pobre, ganha pouco, trabalha muito, vive com dificuldade, precisa de um governo forte, que olhe com atenção e cuidado para a criança, para o jovem, para o adulto, para o velho, para o trabalhador, para o trabalhador que é servidor público, para o aposentado, para o que trabalha e é um pequeno, médio ou grande empreendedor privado. Para todos, mas se tiver que priorizar vai priorizar a atenção aos que mais precisam.

Flávio já garantiu ao empresário dono dos muitos dinheiros desse país que ‘o grande amor da minha vida é você’.

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