Realizado o primeiro turno das eleições cabe fazer uma avaliação e ver o que pode ser feito para consolidar ou reverter o resultado no segundo.
No Rio Grande do Sul tudo ocorreu dentro da mais absoluta normalidade. Não sei de onde alguém aliado do Lula e o próprio chegaram à conclusão de que Juliana Brizola seria uma candidata com algum potencial de vitória. Durante todo processo nem cheguei a analisar a eleição estadual nesta coluna, até porque sempre me pareceu que o óbvio ululante seria, como foi, a eleição do Zucco. Diante das pesquisas que mostravam a candidata empurrada pela direção nacional ao PT estadual próxima do candidato que acabou vencendo, eu dizia aos raros que falavam comigo, que o Zucco teria de ser muito incompetente para ganhar por pouco. Acertei, como seguidamente ocorre. Para o Senado foram eleitos os candidatos previsíveis. Nenhuma novidade em âmbito estadual as urnas mostraram.
O governador do Estado encerra melancolicamente oito anos de mandato. A secretária de Educação do Estado nos últimos seis anos nem concorreu e a secretária da Saúde concorreu e não foi eleita deputada. O vice que concorreu a governador não empolgou, nem foi bem votado.
Observando Lula com dificuldades fico muito mais convicto de que nunca mais vou concorrer a prefeito. Quem ainda se lembra de alguma coisa que eu tenha feito?
No cenário nacional não chegou a ser surpreendente a vitória por pouco menos de 2% de Flávio Bolsonaro. As pesquisas indicavam disputa parelha com a maioria apontando igualdade ou mínima vitória para Lula, mas havia pesquisas com vitória mínima para Flávio. Tudo sempre dentro da margem de erro.
Agora, cabe aos dois lados uma tarefa árdua. Para Flávio Bolsonaro a missão de se manter na frente. Para Lula, a não menos difícil missão de reverter o resultado. Como disse recentemente o técnico do Palmeiras, após uma derrota pela Libertadores, prevendo o jogo da volta, ‘90 minutos é muito tempo no Allianz Parque’, na época este era o nome do estádio. Ainda temos mais de duas semanas. Logo, admitir derrota e cantar vitória são coisas que os dois lados não podem se permitir, ainda que os vencedores do primeiro turno estejam mais entusiasmados no primeiro momento.
Lula tem a vantagem de que no segundo turno não precisará empurrar para cima umas malas sem alças que o puxaram para baixo no primeiro turno. Mas não conseguirá se livrar do efeito Alexandre de Morais e companhias. Acabar com as bets foi um erro de avaliação que custou caro. Agora pode se beneficiar do debate da escala 6 por 1. Mas não muito, que a maioria dos brasileiros nem deve saber que isso está sendo debatido e nem se interessa pelo tema ainda que possa ser beneficiado ou prejudicado pelo resultado.
O primeiro fato relevante do primeiro turno é que mais de 25% dos brasileiros nem sequer votaram, não foram, anularam ou deixaram em branco. Com este padrão de interesse pelo desenvolvimento coletivo será difícil haver alguém que consiga empurrar esta carroça. Por outro lado, certamente mais de 25% dos brasileiros aptos a votar só compareceram porque são obrigados. Daí que para estes votar em João ou Maria tanto faz. Taca qualquer um e está tudo certo.
Flávio tem a vantagem de que no Brasil parte expressiva da sociedade é anti-Lula. Para estes o fato que interessa é votar em quem pode derrotar o que não querem.
Observando Lula com dificuldades fico muito mais convicto de que nunca mais vou concorrer a prefeito. Quem ainda se lembra de alguma coisa que eu tenha feito?
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