
Antes de agosto chegar, julho vai se despedindo, não sem trazer à tona, vez mais, as suas importantes marcas no curso da história. Poucos meses concentram tantos acontecimentos que simbolizam, ao mesmo tempo, liberdade, cidadania e identidade. Seja no cenário internacional, seja na história local, julho é um período que convida à reflexão sobre as origens de valores que ainda orientam sociedades democráticas e comunidades orgulhosas de sua trajetória. Começarei pelos acontecimentos internacionais. Depois, falarei de algo que faz parte da minha identidade pessoal.
No dia 4 de julho de 1776, as Treze Colônias proclamaram a Independência dos Estados Unidos, rompendo os laços políticos e administrativos com a Coroa Britânica. Mais do que o nascimento de uma nova nação, a Revolução Americana representou a afirmação de princípios que transformariam a política ocidental: a Constituição escrita e rígida, o federalismo, a soberania popular, os direitos individuais, o governo limitado e a ideia de que todo poder deve emanar do consentimento dos governados. A experiência norte-americana influenciou constituições, movimentos emancipatórios e consolidou o constitucionalismo moderno, tornando-se uma das mais importantes referências para a construção do Estado de Direito.
Poucos anos depois, em 14 de julho de 1789, outro episódio alteraria profundamente os rumos da humanidade. A Queda da Bastilha, convencionado pelos historiadores como tendo sido o marco inicial da Revolução Francesa, simbolizou o colapso do absolutismo e inaugurou uma nova era política. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade atravessaram fronteiras e inspiraram transformações institucionais em praticamente todo o mundo ocidental. Embora a Revolução Francesa tenha vivido momentos de intensa instabilidade e violência, seu legado permanece vivo na defesa da República, da cidadania, da igualdade perante a lei, da diferença entre privilégios e direitos e da centralidade da dignidade humana como fundamento da organização política e social.
Esses dois grandes acontecimentos fazem de julho um mês particularmente significativo para todos aqueles que valorizam a democracia constitucional e a liberdade. Não por acaso, diversos institutos jurídicos, declarações de direitos e modelos de organização do Estado encontram suas raízes nas ideias desenvolvidas e consolidadas a partir dessas revoluções.
Entretanto, julho também possui um significado especial para este que vos escreve, agora mais diretamente. Em 17 de julhoBagé celebrou o seu aniversário de 215 anos, reafirmando uma história construída pela coragem de seu povo, pela importância estratégica na formação da fronteira sul e pela rica tradição cultural da Campanha Gaúcha. Conhecida como a “Rainha da Fronteira”, Bagé sempre desempenhou papel relevante no desenvolvimento econômico, político e social do Estado. Sua vocação para a pecuária, sua contribuição à cultura regional, os personagens e os grandes acontecimentos políticos, além do seu patrimônio histórico, fazem da minha cidade natal um dos grandes símbolos da identidade gaúcha.


