Ação mobilizou 350 policiais em 32 cidades de sete estados brasileiros Foto: DRACO Bagé
Uma operação da Polícia Civil, coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), de Bagé, que tem a frente o delegado Cristiano Ritta, denominada de Operação Mavick, mobilizou 350 policiais civis em sete estados do país para desmantelar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas e a uma organização criminosa.
A operação resultou em quatro prisões preventivas, a emissão de 70 mandados de busca e apreensão, e a ordem de bloqueio de mais de R$ 18 milhões em bens e contas bancárias.
Os mandados foram cumpridos em 32 cidades. Vinte carros foram apreendidos e 63 contas bancárias de “laranjas” foram bloqueadas.
As investigações, conduzidas pela DRACO de Bagé focaram no núcleo financeiro do grupo.
Segundo a polícia, de acordo com as investigações, os quatro principais investigados são o suposto líder do grupo criminoso que está recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), um fornecedor de drones e sua companheira de Santa Catarina, e uma pessoa que supostamente atuava como operadora financeira do grupo.
O INÍCIO DA INVESTIGAÇÃO E O LABORATÓRIO DE REFINO DE DROGAS
Segundo a polícia, a operação começou com a informação de que o grupo estava planejando instalar um laboratório de refino de cocaína em Bagé. “Uma operação policial em novembro de 2023, visando desmantelar o laboratório, apreendeu telefones celulares de suspeitos, que continham evidências da associação criminosa. Meses depois, em março de 2024, uma nova investida policial resultou resultando na prisão em flagrante de cinco pessoas e na apreensão de uma prensa para cocaína, além da droga refinada, material químico para dobrar o volume de entorpecentes, e 11 telefones celulares novos, que seriam enviados para dentro do sistema prisional com o uso de drones”, relata a nota policial.
Segundo a polícia, drones eram usados no esquema Foto: DRACO Bagé
DRONES E A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
Segundo a polícia, a investigação revelou que um dos suspeitos (proprietário de uma empresa de manutenção de drones) recebia drones de membros do grupo para manutenção e adaptação de braços articulados para transportar drogas e celulares para dentro da PASC.
Ainda, de acordo com a polícia, a quebra do sigilo bancário dos investigados demonstrou que o trio movimentou mais de R$ 18 milhões de forma incompatível com seus rendimentos.
Também foram identificadas centenas de outras pessoas envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro. As 63 contas bancárias de “laranjas” foram bloqueadas, com valores entre R$ 30 e mais de R$ 200 mil a fim de garantir a descapitalização da organização criminosa.
Juntas, contas dos investigados movimentaram mais de R$ 18 milhões Foto: DRACO Bagé
BENS E ENDEREÇOS DA OPERAÇÃO
Como parte da Operação Mavick, foram apreendidos 20 carros e outros bens. O valor total dos bens e contas bancárias bloqueados é de mais de R$ 18,1 milhões.
Os 70 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 32 cidades de sete estados, dentre elas: Rio Grande do Sul (Bagé, Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Lajeado, Campo Bom, Esteio, Charqueadas, Caxias do Sul, São Jerônimo, Pelotas, Montenegro, Uruguaiana), Santa Catarina (Itajaí, Navegantes, Joinville, Barra Funda), São Paulo (Osvaldo Cruz, São Bernardo do Campo, Cotia), Paraná (Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Maringá, Colombo), Bahia (Salvador), Rio de Janeiro (Itaboraí) e Pernambuco (São Lourenço da Mata).
OPERAÇÃO ALIANÇA SOMBRIA
A polícia lembra que em julho de 2025, a investigação da DRACO ganhou um novo capítulo com a deflagração da operação “Aliança Sombria”. Essa fase da Operação focou no combate à corrupção no sistema prisional, onde um policial penal cooperava para a entrada recorrente de celulares e drogas na PASC, segundo as investigações, recebendo propina. Na ocasião, segundo a DRACO, como medida cautelar, o policial penal foi afastado das suas funções e suas contas bancárias e bens foram bloqueados. As movimentações financeiras do servidor chamaram a atenção, totalizando mais de R$ 2,3 milhões em apenas dois anos, um valor incompatível com seus vencimentos. As investigações também identificaram transferências bancárias que comprovam o pagamento de propina, feito por intermediários do grupo e utilizando contas de terceiros.



