HABITAÇÃO

Defensores públicos fazem esclarecimentos sobre as casas da CGT Eletrosul

Encontro reuniu moradores das vilas Operária e Residencial no CTG Candeeiro do Pago Foto: Camila Schäfer/Especial TP

Apesar dos riscos de aglomeração, porém com cuidados sanitários, os moradores se reuniram na noite fria da última quarta-feira (11), no CTG Candeeiro Pago, na Vila Residencial, com representantes da Defensoria e da Prefeitura.

O defensor público Alexandre Brandão Rodrigues destacou que neste momento não há nenhuma decisão tomada e tudo está no seu início. “Sabemos da angústia da comunidade e reafirmamos ser uma situação complexa. Não sabemos qual estratégia ainda tomar e por isso passamos esta semana aqui para entendermos melhor tudo. Estamos atentos a cada passo da empresa e dia 26 nos reuniremos com ela. A partir dali saberemos quais rumos. Vamos priorizar um acordo extrajudicial”, afirma.

Já o defensor Fabrício Azevedo de Souza afirmou que a DPE-RS está atacando em todas as frentes e que ainda não se tem uma resposta concreta para nada. “Queremos sensibilizar a CGT Eletrosul que ali não são apenas 411 imóveis e sim vidas e muitas histórias”, atentou.

O defensor Rafael Magagnin – que recentemente ganhou notoriedade por ser o principal negociador no caso da morte no Carrefour, em Porto Alegre -, disse durante a reunião que o intuito da Defensoria é a construção de uma solução que seja boa para todos os envolvidos. “Não fechamos nenhuma porta”, afirma.

Ao fazer menção ao seu Armando Ritta, que estava na plateia com seus 92 anos e que reside na Vila Residencial desde 1952, o líder sindical Darlan Oliveira atentou para a extensão do problema que atinge pessoas que estão nestas casas há dezenas de anos. Também ele se referiu a avaliação dos imóveis feita pela CGT. “Eles acham que moramos na avenida Paulista pelos preços que colocaram”, ironizou.

A vereadora Luana Vais (PT), que representou a Câmara no encontro, disse que todos estão unidos e que não haverá desistência enquanto as pessoas não tiverem com suas escrituras nas mãos.

Para o vice-prefeito Paulinho Brum o sentimento é de esperança e que ao fim se sairá com a vitória.

Por fim, o prefeito Luiz Carlos Folador destacou que a luta ali era pela defesa de moradia digna para as pessoas. “A caminhada está começando e precisamos ter passos seguros, sem vaidades e com união. Ao final vamos celebrar”, destacou, pedindo ainda que ninguém tome nenhuma atitude intempestiva ou isolada, porque isso enfraquece a luta.

Os três defensores públicos (D) explicaram o andamento do processo

HISTÓRICO – Por volta dos anos 1970, a CEEE ofereceu as casas aos seus funcionários, para que residissem mais próximos ao trabalho. Até o início dos anos 1990, a empresa fazia manutenção nas casas, como corte de grama, troca de chuveiro, entre outras. Depois disso, os próprios moradores passaram a cuidar das residências, uma vez que a estatal, nas palavras deles, abandonou as casas.

Além da deterioração normal, causada pela ação do tempo, diversas moradias estão com rachaduras, provocadas pelas detonações realizadas em uma mina próxima à Vila Residencial.

O argumento usado em defesa dos moradores é de que, se não fosse por eles, muitas casas já teriam desabado, uma vez que a empresa não fez manutenção durante décadas.

Além disso, segundo os moradores, os valores avaliados recentemente pela estatal (entre R$ 200 e R$ 400 mil) não condizem com os praticados pelo mercado e aquelas que se aproximam disso só têm esse valor porque as famílias promoveram diversas melhorias. A questão é que essas mesmas famílias não teriam condições de adquirir as casas pelo valor atualmente avaliado pela empresa.

Por volta de 2011 e 2012, a estatal promoveu um projeto de regularização na Vila Operária. Após avaliação das casas, alguns moradores pagaram para a empresa uma média de R$ 20 mil e tiveram sua situação regularizada. Porém, na Vila Residencial o mesmo não aconteceu.

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