Em Pinheiro Machado, o custo do transporte para buscar qualificação em instituições técnicas e de nível superior fora da cidade, tem preocupado a comunidade e especialmente os estudantes ou seus pais. A preocupação também insere o poder público.
São ônibus que saem diariamente para Bagé e Pelotas, com dezenas de estudantes que querem se qualificar, seja em nível técnico ou em faculdades. Esse transporte é administrado pela Associação Integrada dos Estudantes de Pinheiro Machado (AIEP).
O que vem impactando e gerando debate nos últimos tempos é a quantia que cada aluno precisa pagar para viajar. Um caso emblemático foi de nove alunos que viajam todas as noites para Pelotas e que somente neste mês, pelo baixo fluxo, terão que desembolsar R$ 1,8 mil cada um (ver tabela). Este é um caso extremo, porém os custos mensais tem sido na casa dos R$ 800 mensais, segundo o TP apurou. O fato é que os altos valores podem inviabilizar muitos deles de estudar, já tendo casos de desistências.
Planilha dos custos no mês de junho para nove alunos que estudam no período noturno em Pelotas
PODER PÚBLICO
Apesar da situação não ser de responsabilidade constitucional direta da Prefeitura, pois o município responde pelo ensino fundamental, o poder público local, segundo o prefeito Ronaldo Madruga (PP), tem buscado achar soluções para o problema.
O prefeito disse que neste momento está sendo finalizado um processo de ajuda de custo para alunos (bolsas) com renda familiar mensal até três salários mínimos. “Inicialmente haviam sido destinados R$ 5 mil para essas bolsas e agora são R$ 10 mil mensais, para ser rateado entre os classificados no programa”, disse.
Também, Ronaldo afirmou que na próxima semana estará sendo liberada para a Associação, por meio de um termo de fomento, a primeira de quatro parcelas de R$ 25 mil, num total de R$ 100 mil para subsidiar o transporte. Este recurso é de uma emenda parlamentar do deputado Pompeo de Mattos (PDT).
O prefeito afirma que para 2027 já sendo pensada a ampliação do programa de bolsas e também dos subsídios, contudo, ele pontua que a Associação e os usuários precisam buscar outros meios para amenizar o custo. “A Prefeitura tem limitações financeiras. Quando me formei e não tenho vergonha disso, eu vendia rifas para ajudar no meu transporte”, relembrou.
Em relação aos nove alunos e os R$ 1,8 mil, Ronaldo falou que poderia ter sido pensado, especificamente para esta situação, num veículo menor ou outra forma de transporte neste mês, em função do baixo fluxo de pessoas.
Por fim, o prefeito disse que está aberto a construir soluções e alternativas para esta situação.
Prefeitura lançou um programa de bolsas
CÂMARA
O assunto repercutiu também na Câmara pinheirense esta semana, durante a sessão ordinária.
O primeiro vereador falar foi Renato Rodrigues (PSDB). Ele assinalou que nos anos de 2023 e 2024 fez repasses de R$ 20 mil e R$ 30 mil para o transporte, por meio de emendas impositivas e que em 2027 voltará a destinar R$ 30 mil. “Pedimos que o Executivo dê um auxílio, olhe com carinho essa questão. Isso não é gasto, é investimento”, considerou.
Já o vereador Mateus Garcia (PDT) lembrou da construção da bancada pedetista na Câmara feita com o prefeito para a emenda de R$ 100 mil do deputado Pompeo de Mattos e que ainda não foi operacionalizada. “Entendemos a burocracia, mas vemos o desespero dos pais e peço agilidade para liberar esse recurso. O que estava ao nosso alcance foi feito”, assinalou.
O vereador Cássio Câmara (PP) disse que destinou recursos em 2023 e 2024 de emendas impositivas do seu gabinete e da bancada, além de ter antecipado R$ 30 mil dos recursos da Câmara para o Executivo em 2023, quando era presidente do Legislativo para ajudar no financiamento do transporte. Ele disse que por uma situação não encaminhada da melhor forma, este ano não houve repasses, mas que em 2027 voltará a destinar. “Tenho conversado com o Vilsinho (Jorge), presidente desta Casa, para que estude em também fazer algum adiantamento este ano ao Executivo. Ficamos tristes com o relato dos pais, já tendo alunos desistindo por causa do alto custo”, expôs.
“Estou pensando nas famílias que não tem condições e não tem de onde tirar esses R$ 1,8 mil. Fiquei comovida com essa situação”, afirmou a vereadora Samanta Rochel (MDB), lembrando que sua atuação parlamentar tem sido em vários momentos na defesa dos estudantes e da educação. Ela propôs também a presidência da Câmara que estude um repasse para a Associação.
Os vereadores Rogério Moura (Republicanos) e André Azambuja (PDT) também comentaram o assunto, com Rogério também propondo um adiantamento do Legislativo.
AIEP
Em nota enviada ao jornal, a diretoria da Associação destacou que está fazendo todo o possível para buscar subsídios e alternativas que permitam reduzir os custos. “Toda documentação solicitada tem sido providenciada e encaminhada com a maior agilidade possível. Além disso, mantemos contato constante com os órgãos competentes para acompanhar o andamento do processo e obter informações atualizadas. Temos nos dedicado ao máximo dentro das possibilidades e do tempo disponível, considerando que todos os envolvidos conciliam essa demanda com suas atividades de estudo e trabalho”, esclarece a nota.
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