ARRECADAÇÃO

Segundo índice provisório, todos os municípios da região terão queda no ICMS em 2026

Da região analisada pelo jornal, o município com menor perda é Pinheiro Machado

A Secretaria Estadual da Fazenda publicou recentemente, os índices provisórios de retorno do ICMS para 2026. Conforme a legislação, os municípios têm 30 dias para apresentar recursos (a partir de 25 de agosto último), caso discordem dos índices, diretamente aos órgãos competentes.
O ICMS é a principal fonte de receita para a maioria das prefeituras gaúchas, e 25% da arrecadação do imposto é destinada aos municípios, conforme os coeficientes individuais de participação. Esses índices são calculados com base em diversos critérios, como Valor Adicionado Fiscal (VAF), produção primária, área, propriedades rurais, Programa de Integração Tributária (PIT) e, desde 2024, a Participação no Rateio da Educação (PRE) – que em 2026 terá peso de 12,8% na composição do índice.
REGIÃO
O Tribuna do Pampa apurou os índices provisórios dos municípios da região e todos, sem exceção, mantidos os números, terão queda na arrecadação em 2026 neste imposto.
O município com maior tombo é Pedras Altas, com perda de 14,1%, caindo 36 posições no ranking de municípios no Estado, saindo da posição 224º para 260º. Outro município com perda na casa dos dois dígitos é Hulha Negra, com recuo de 10,4%. Perdem acima dos 5%, Aceguá (-5,8%), Bagé (-6,6%) e Lavras do Sul (-6,2%). O município que tem menor perda é Pinheiro Machado, com 0,2%.
RANKING RS
Entre os municípios com maior crescimento percentual no Estado, o destaque vai para São José do Norte, que subiu 40 posições, de 108º para 68º lugar, com aumento de 51,8% no índice. Também se destacaram Capão do Leão (+24,7%) e Porto Xavier (+18,7%). Por outro lado, alguns municípios registraram queda, como Horizontina, que caiu de 16ª para 24ª posição, com variação negativa de 23,8%, e Carazinho (-17,5%).

Quebra de safra de soja puxa ICMS de Pedras Altas para baixo em 2026

O município de Pedras Altas, como já referido em matéria anterior, registrou uma redução significativa no índice provisório – o maior da região, com indicativo de queda de 14,1%. Segundo Jeson Rodrigues, que é o coordenador de ICMS da Prefeitura de Pedras Altas, a queda é reflexo direto no Valor Adicionado Fiscal (VAF), que é principal componente para o cálculo do Índice de Participação dos Municípios (IPM), com peso de 65%. “O VAF é calculado com base na média da produção dos dois últimos anos. Em 2023, o município enfrentou uma expressiva retração na atividade primária, setor composto principalmente pela agropecuária, que é responsável por grande parte da economia local. A cultura da soja, principal produto agrícola de Pedras Altas, sofreu uma redução de 65% na produção em 2023. Essa queda foi causada, principalmente, pela estiagem severa que atingiu a região, além da desvalorização do preço de venda na época da comercialização, fatores que desestimularam a produção e impactaram diretamente a arrecadação municipal. Já em 2024, embora tenha havido um crescimento de 8,67% na atividade primária, o excesso de chuvas durante a colheita novamente afetou a produtividade, resultando em uma nova queda de 3,73% no VAF em relação ao ano anterior”, assinala o coordenador.

Para ilustrar em números o que Jeson explicou, em 2022, o valor de vendas da soja no município foi de aproximadamente R$ 262 milhões. Já em 2023 caiu para R$ 89 milhões e em 2024, houve uma leve recuperação, chegando a R$ 116 milhões.

Segundo os cálculos da Secretaria da Fazenda pedrasaltense, a diminuição no VAF tem uma previsão de queda de aproximadamente R$ 1,5 milhão na arrecadação municipal em 2026. “Estamos olhando de perto todos os números e índices, buscando caminhos para que não haja nenhum tipo de redução ou prejuízo aos serviços considerados essenciais para a nossa comunidade”, destacou a secretária da Fazenda, Tamires Vaconcelos.

Hulha Negra afirma que vai contestar índice, mas garante que não haverá comprometimento de serviços

A secretária de Finanças de Hulha Negra, Lídia Munhós disse ao jornal que o índice provisório divulgado pela Fazenda do Estado será contestado pelo município, porém, ela garante que se ele for mantido, não haverá comprometimento dos serviços para a comunidade local.
O índice provisório prevê uma queda de 10,4% em relação ao índice deste ano. A secretária afirmou ser difícil prever um valor em reais, pois o coeficiente é aplicado no montante de arrecadação estadual. Contudo, ela projeta algo em torno de R$ 600 mil a menos de ICMS para os cofres locais em 2026.
A secretária fez questão de frisar que no cálculo de agora, saiu o ano de 2022, que, segundo ela, havia sido muito bom, com boa produtividade e valores expressivos, sendo isso um dos fatores de queda.
Lídia destaca que o governo hulhanegrense está atento e agindo para conter possíveis quedas arrecadatórias. “Estamos trabalhando com um plano de atualização fiscal para enfrentarmos os desafios da reforma tributária nacional e com o foco na conscientização cidadã e educação fiscal. Acredito que consigamos equilibrar as receitas municipais, não comprometendo a prestação de serviços e investimentos do município para os anos seguintes”, apontou a secretária.

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