Esta semana a pauta esteve principalmente na reunião das Nações Unidas, mas também ocupou espaço a votação da ‘blindagem’ no Senado após a Câmara dos Deputados, com a natural falta de vergonha na cara que acompanha ampla maioria dos deputados federais brasileiros, ter aprovado um projeto que livrava de julgamentos deputados e senadores corruptos.
Uma pequena mobilização da sociedade mostrou aos senadores que aprovar a ‘blindagem’ era entrar numa fria e por unanimidade estes resolveram arquivar o projeto de lei que a Câmara havia aprovado na semana passada. Porém, não acreditem que foi por um acesso de honestidade que os senadores assim agiram. Para quem ainda não sabe, cabe lembrar que, dos três senadores de cada estado brasileiro, dois serão substituídos nas eleições do próximo ano, salvo se conseguirem se reeleger. Pequena mobilização nas ruas, mas ampla nas pesquisas de opinião e nas chamadas ‘redes sociais’.
No popular, o Senado disse para a Câmara dos Deputados que ‘não somos corruptos como vocês, não precisamos de blindagem’. Não é bem assim, mas até parece que é. Foi um atropelo. Uma bordoada na orelha. Os deputados ainda estão tentando entender. Já nem sabem mais o que votar na tal ‘anistia’ porque acreditam que vão levar outro choque no Senado. Não há dúvidas que enfrentar a opinião da maioria da sociedade é um tema mais ‘sensível’ no Senado que na Câmara. Tudo, é claro, em razão das eleições no próximo ano.
Nações Unidas hoje é quase uma fantasia, talvez completamente.
Provavelmente, a Câmara dos Deputados vai reduzir a pressa que tinha para votar o projeto da anistia ou de redução de penas. Como sabido, havia um projeto bem mais articulado no Senado que os deputados resolveram atropelar. Os senadores não gostaram de tamanha falta de consideração.
Enquanto as coisas locais vão se acomodando, nas Nações Unidas algumas coisas me parecem interessantes. Nações Unidas hoje é quase uma fantasia, talvez completamente.
Trump usou o triplo do tempo que tinha para ficar mentindo sem nenhuma vergonha, como sempre. Mas este é um caso perdido. Dia desses, Trump pediu pena de morte para quem matou um ativista aliado dele. Quem ousou festejar entrou em desgraça (é claro que é uma idiotice desumanizada festejar o assassinato de alguém). Mas Trump festeja toda semana os assassinatos de venezuelanos que nem foram presos, nem julgados, nos mares próximos da Venezuela: três barcos, 14 mortos. Traficantes, assunto encerrado. A Venezuela diz que eram pescadores e o procurador-geral da Venezuela pediu às Nações Unidas a investigação dos episódios.
Trump diz que em oito meses acabou com sete guerras. Os grandes jornais americanos mostram que nenhuma acabou graças à intervenção dele.
Sobrou uma reunião entre Trump e Lula nos próximos dias. Inesperada! Lula diz que será uma reunião entre dois homens de 80 anos, como se isso fosse garantia de alguma coisa. Esta semana Trump colocou na Casa Branca, na galeria dos presidentes, a foto de um equipamento de assinatura automática no lugar da foto do ex-presidente Joe Biden, que venceu Trump na única eleição nas quais os dois concorreram. Coisa de adolescente ‘sem noção’ do Texas. Melhor Lula tomar cuidado. Mas Lula é muito ligeiro, provavelmente não vai ter problemas.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


