O título da coluna remete a uma obra descrita na década de 1980, destinada à análise do “coronelismo” na história política do Rio Grande do Sul. Trata-se, a esse respeito, do livro “Coronelismo, borgismo e cooptação política”, de autoria Loiva Otero Félix, Doutora em História pela USP e, na época, Professora Adjunta do Departamento de História da UFRGS. A obra remonta a idos de 1987.
Três motivações impeliram a autora à análise da temática do coronelismo no RS: a primeira, o preenchimento de uma lacuna na historiografia rio-grandense. Segundo a autora, assim sendo, o Rio Grande do Sul teria vivido a instituição coronelista da mesma forma que as demais regiões do Brasil na Primeira República, mas de maneira peculiar: houve um desenvolvimento próprio e um comprometimento com a classe pecuarista, ao contrário da maior parte dos casos conhecidos, que estiveram ligados a uma estrutura agrária.
Uma segunda motivação foi decorrente da observação da historiografia gaúcha de um outro conjunto de obras. As publicações, em geral, teriam difundido um conceito: o de coronel burocrata. A autora, por outro lado, sustenta que essa ideia não seria condizente com a história do RS. Esse estereótipo não encontraria amparo para a relação de poder local/poder estadual desenvolvida na área que serviu de suporte legitimador e de manutenção do borgismo: a região serrada do planalto médio.
A terceira razão, por sua vez, residiu no enfatizar da necessidade do conhecimento das peculiaridades regionais na história brasileira para uma compreensão maior do processo histórico nacional, enquanto resultado de um ajuste entre as situações gerais do país e as específicas regionais, particularmente no caso do Rio Grande do Sul, onde reconhecidamente existem situações diferenciadas bastante localizadas.
Para a autora, coronelismo seria “o poder exercido por chefes políticos sobre certo número de pessoas que dele dependem. Tal situação visa objetivos eleitorais que permitam aos coronéis a imposição de nomes para os cargos que eles indicam”. Já o borgismo seria “o período de atuação de Borges de Medeiros à frente do executivo gaúcho como presidente do Estado e chefe do PRR, de janeiro de 1898 até janeiro de 1928”. Cooptação política, a seu turno, é “o processo de absorção de novos elementos na liderança ou na estrutura partidária como meio de serem evitar ameaças à estabilidade ou à existência da organização do aparelho do Estado que então se processa. O que caracteriza a cooptação é, essencialmente, ser uma ação política realizada sem violência”.
A obra é dividida em quatro capítulos: a) Capítulo I – origens do coronelismo gaúcho; b) Capítulo II – o encaminhamento político autoritário da doutrina do castilhismo-borgismo; c) Capítulo III – a situação política no Planalto Médio do Estado do RS; d) Capítulo IV – contestação, consolidação e crise do coronelismo de modelo borgista.
A obra, então, é referência obrigatória para o estudo do período castilhista-borgista no Estado do RS, regime que se implantou no RS logo no alvorecer da República e daí em diante.
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