Paz e Guerra

O mundo vive sua maior corrida armamentista, se esvaem as esperanças de paz mundial, e, por consequência, tornam-se minguados os recursos para investir no combate à pobreza, à fome e ao desafio climático. E o pior cenário é que parece claramente existir falta de vontade política para por fim a esse descalabro.

Pelos cálculos atualizados de fontes especializadas, por exemplo, o valor de um tanque de guerra seria suficiente para tratar 26 mil seres humanos contra a febre malária. Com apenas o valor de um porta-navios, poderia ser reflorestada uma área equivalente a três territórios da Costa Rica.

Com 2% do orçamento militar, a ONU teria como distribuir alimentos, remédios e abrigos a mais de 200 milhões de pessoas em zonas de crise humanitária.

Portanto, em resumo, quem morre de fome hoje, morre assassinado.

Nos últimos dois anos, a guerra de Israel/Gaza e Rússia/Ucrânia, deram todos os argumentos que os governos procuravam para instalar um rearmamento sem cessar.

No caso dos países em desenvolvimento e da ONU, a pergunta cabível não diz respeito apenas à segurança do planeta, mas um profundo temor de que não exista espaço fiscal para que as nações envolvidas possam destinar recursos à luta contra a pobreza, a fome e o desmatamento.

A título exemplificativo, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou recentemente que o orçamento militar do país vai aumentar 64 bilhões de euros, o que faz crer em grandes cortes de investimento nas áreas sociais. Por sua vez, o governo do Reino Unido publicou a redução de gastos com ajuda humanitária em 0,2% do seu PIB, justamente para aumentar os gastos militares.

É assim que as democracias e os regimes autoritários sinalizam sua opção pelo caminho armamentista, e a paz social como o melhor caminho para evitar as guerras, fica parecendo inviável, para não dizer que estaria abandonada.

Ou seja, com números imensos de armas, nosso mundo fica cada dia mais perigoso, mais imprevisível, e muito, mas muito mais inseguro.

 

“SE QUERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA.”  VEGÉCIO.

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

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