A coluna de hoje traz uma sugestão de programa para assistir no feriado, a quem interessar possa. Trata-se, a esse respeito, da série “Procurados – O. J. Simpson”, disponível na plataforma de streaming Netflix. A produção, por sua vez, conta com quatro capítulos, retratando os acontecimentos que levaram à acusação e ao julgamento criminal do ex-jogador da NFL (liga nacional de futebol americano) Orenthal James Simpson, O. J Simpson ou “The Juice”. Simpson foi apontado como responsável por ter assassinado a facadas a ex-mulher, Nicole Brown, e um amigo dela, Ron Goldman, em idos 12 de junho de 1994, em Brentwood, Los Angeles, Estado da California.
O caso Simpson envolve variáveis que o fizeram tornar o “julgamento do século” nos EUA: um super astro do futebol americano acusado de um duplo homicídio, fama, dinheiro, uma perseguição policial, farto conjunto probatório, ao menos a princípio, uma acusação midiática, uma estrelada defesa, não menos midiática, a transmissão ao-vivo do julgamento etc. O caso foi grande, observados os seus atores. A repercussão, gigantesca. O resultado, controverso.
Após os crimes, uma vez indiciado, Simpson protagonizou uma perseguição policial ao vivo em um carro branco, acompanhada por milhões de pessoas na TV, num dos acontecimentos mais bizarros da história judicial norte-americana – a TV estava transmitindo as finais da NBA (liga de basquete) e a transmissão chegou a ser interrompida por conta da perseguição. Simpson acabaria preso, sendo que o julgamento ocorreria meses depois, já em 1995.
O processo criminal virou um espetáculo midiático. A acusação apresentou provas como DNA. A defesa alegou racismo e questionou a conduta policial, acusando-a, inclusive, de ter plantado evidências. O caso dividiu completamente a opinião pública nos EUA. No meio disso tudo, duas vítimas brutalmente assassinadas. Crimes cometidos por OJ, segundo o Estado. Homicídios sem que o autor real tenha sido investigado e processado, segundo a defesa (defesa, reitero, brilhante). E muitos erros da acusação, diga-se.
Mais do que um crime, o episódio expôs: tensões raciais nos EUA; influência da mídia; o peso da fama no sistema de justiça. Juridicamente falando, o caso também trouxe muitas novidades, sendo que a principal foi a ciência forense, com foco específico na preservação da cadeia de custódia da prova. Foi algo emblemático, sem dúvida alguma. Inovador. Revolucionário, sobretudo para aqueles tempos.
A série, então, conta essa história, a história de uma superestrela do esporte norte-americano acusado de um duplo e violentíssimo homicídio, trazendo, à minúcia, a investigação, a perseguição policial ao vivo, o julgamento extremamente midiático e as estratégias da defesa, que exploraram questões raciais e de ciência forense. É, definitivamente, um retrato de como fama, mídia e tensões raciais influenciaram um dos julgamentos mais famosos da história contemporânea, disruptivo que foi em muitos aspectos. O réu, aliás, foi absolvido. E produção foi muito fiel às razões dessa polêmica ou controversa absolvição. Vale assistir!
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


