
Coordenadora Suelen e secretário Michel explicaram os trabalhos realizados em prol das crianças atípicas Foto: Silvana Antunes TP
Buscando verificar e relatar as ações realizadas e métodos aplicados pela Secretaria Municipal de Educação de Candiota (Smed) com vistas a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), assim como outros Transtornos Globais, a reportagem do TP conversou com o secretário de Educação Michel Feijó e a coordenadora pedagógica do município, Suelen Funari.
Na ocasião, o secretário Michel ao falar da situação atual e ações, lembrou que a chegada na Smed ocorreu durante a pandemia de Covid-19, fato que levou a desafios na Educação, principalmente pela perda de aprendizagem dos alunos. “Tivemos que montar um planejamento de recuperação dessa aprendizagem aliada aos desafios da inclusão. Não tínhamos monitores para essas crianças, organizamos essa questão e hoje todas as crianças da nossa rede que necessitam de acompanhamento tem monitor. Hoje são 41 monitores que há pouco passaram por uma formação com uma clínica especializada e outras formações irão ocorrer para que essas crianças tenham o melhor atendimento dentro da sala de aula, para que os profissionais saibam atendê-los”, relatou o secretário, destacando, porém, se tratar de um desafio para os professores. “Além da preocupação e exigência de seguir as normas e conteúdos exigidos, eles também têm esse cuidado com as crianças inclusivas”.
Michel lembrou que interligado a Smed está o Centro de Reabilitação e Apoio (CRA) de Candiota para o atendimento a essas crianças laudadas. “Hoje elas estão sendo atendidas. Apesar de ainda termos lista de espera, pois a demanda é grande, o CRA tem profissionais que dão o suporte às nossas escolas”.
AMBIENTE ESCOLAR
Especificamente quanto ao trabalho pedagógico realizado nas escola com alunos autistas, a coordenadora Suelen Funari afirmou que as escolas de Candiota estão preparadas para atender crianças inclusivas. “Os autistas têm seus direitos no ambiente escolar e há, claro, dificuldades no dia a dia, assim como a busca constante por melhorias. Hoje todas as turmas têm um monitor e um auxiliar juntamente com o professor, pois temos alunos laudados em praticamente todas as turmas da rede, tanto da Educação Infantil como Ensino Fundamental”.
Questionada sobre a organização e método adotado para conciliar e integrar as atividades entre crianças típicas, ditas normais, e crianças atípicas, com algum tipo de transtorno, Suelen diz que há bastante cuidado, tendo em vista que as crianças não estão preparadas em muitos casos, para integrar com as outras e o ensino não pode regredir.
PLANO INDIVIDUALIZADO
Um ponto importante apresentado pela coordenadora é a construção e o encaminhamento par aprovação do Conselho de Educação, do Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI). “Caso aprovado, cada aluno dentro do seu lado vai ter um planejamento anual diferenciado, pois é preciso abordar as competências e habilidades desses alunos entre a professora da sala e o atendimento especializado”, explicou.
Suelen relata que o PDI prevê a participação da família na escola para que seja compreendida a rotina da criança fora do ambiente escolar e essa criança tenha um plano adaptado a ela. “Então, haverá um cronograma de trabalho unificado de forma que essa criança esteja, de fato, inclusa e não somente frequentando uma escola, pontuou a coordenadora dizendo acreditar que o Plano será aprovado ainda até o fim de abril”.
Ainda sobre a questão escolar para crianças atípicas, principalmente na idade obrigatória escolar – a partir dos 4 anos – Suelen reafirma a importância do PDI. “Esse planejamento educacional individualizado vem para que a Smed consiga oferecer uma forma melhor da criança aprender, de estar inserida e que as crianças que não são atípicas também possam compreender como aquele colega interage, para mitigar ruídos, para que todos tenham espaços de igualdade, possam desenvolver suas habilidades de forma mais harmoniosa e não somente que a criança esteja colocada dentro de uma sala de aula por ser direito, mas que de fato ela possa ter um desenvolvimento adequado e um retorno de aprendizado”.
Por fim foi destacada a importância da participação familiar no processo de adaptação e desenvolvimento das crianças atípicas. “O atendimento especializado vai determinar a necessidade e para quais períodos a presença do monitor para a criança. Pelo laudo não podemos capacitar essa criança. A função da escola é a socialização, o desenvolvimento e a aprendizagem. A escola está para ajudar a criança, seja típica ou atípica, não pode ser rotulada, pois ela pode conquistar seus avanços e para isso é preciso o apoio das famílias”, concluiu a coordenadora da Smed.
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