O esporte

A Copa do Mundo nos mostrou que o esporte como espetáculo pode ser muito significativo em vários aspectos. Nada une alguns países como as seleções nacionais de futebol. O sentimento de nacionalismo, tão em falta em todo planeta, volta à cena quando é tempo de Copa. Isso é bom, momentos em que todos vibram na mesma emoção.

Não faz muito tempo que escrevi sobre cidades felizes nesta coluna. Uma das características das cidades mais felizes é que nessas há eventos para as pessoas irem quando quiserem sair de casa e viver em sociedade. Embora a grandiosidade do evento Copa do Mundo possa parecer intimidador às pequenas comunidades, não me parece que esse deva ser o sentimento. Por exemplo, em Hulha Negra, o Manecão sempre foi um grande evento, um dos maiores eventos de voleibol do Estado e movimentava centenas de pessoas entre atletas e torcedores. Logo, mesmo em cidades pequenas é possível realizar significativos eventos esportivos.

O que nos falta? Locais adequados.

Uma comunidade que se destaca regionalmente no esporte se sente mais forte, mais unida e mais comprometida com objetivos comuns.

Não há como pensar em fazer futebol em estádios precários. Por exemplo, o Estrela D’alva ou o Pedra Moura em Bagé. Tu vê estádios maravilhosos na televisão e na tua cidade o estádio é ultrapassado e feio. Não há como crer que voltar com o futebol de campo seja uma realidade promissora. Porém, é possível fazer pequenos estádios bonitos e bem equipados, principalmente com sanitários adequados e em número razoável. Um deles que eu conheço muito bem é o estádio da PUCRS, em Porto Alegre. Pequeno, com capacidade para pouco mais de 2 mil pessoas, porém muito bonito. Qualquer município pode ter um pequeno estádio de futebol com arquibancada, cadeiras, bonito e confortável.

Faz tempo que o futebol de campo saiu de cena e o futebol sete ganhou certa evidência. Nunca vi um estádio de futebol sete com arquibancadas, cadeiras e sanitários. Mas qualquer município pequeno pode ter um estádio para futebol sete.

Há alternativas que quase não são exploradas como vôlei de praia e tênis de praia. De novo, me parece que o que motiva é que os lugares sejam bonitos, bem organizados, com arquibancadas, enfim, há possibilidades. Se houver público para aplaudir sempre haverá atletas para serem aplaudidos.

O esporte é importante como representação de um estilo de vida, de afirmação social, de demonstração de força física, mental, cultural e econômica. Uma comunidade que se destaca regionalmente no esporte, se sente mais forte, mais unida e mais comprometida com objetivos comuns. Lembro de certa vez em Caçapava do Sul, nos anos 1990, quando Hulha Negra ganhou os Jogos da Juventude Rural (Jijur) de todos os municípios do sul do Rio Grande do Sul. A gente saiu se achando. Isso é bom, quem pode no esporte, pode em qualquer lugar.

Já que não podemos fazer Copa do Mundo no nosso quintal, seria razoável pensar e fazer competições entre os municípios da região. Sociedades que compartilham emoções estão mais perto de se desenvolverem através de esforços coletivos.

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