ÍNDICES

Ideb melhora na região e é motivo de comemoração das autoridades

Números analisados pelo TP, de forma geral, ainda estão abaixo das médias estadual e nacional. Autoridades regionais reforçam que é preciso seguir os investimentos e programas

 

De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino fundamental brasileiro nas redes públicas e privadas passou de 6 para 6,3 nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e de 5 para 5,3 nos anos finais (do 6º ao 9º ano). Já o Ideb do ensino médio em ambas as redes passou de 4,3 para 4,5. Considerando apenas a rede pública, o resultado passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais; de 4,7 para 5,0 nos anos finais; e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.

Com esses resultados, o Ideb alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005. Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025, que revelam o desempenho da educação básica brasileira, calculados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram divulgados na última semana. 

O MEC prepara ainda para o próximo mês de outubro a divulgação do plano de ação e das metas que estão sendo construídos para atender às demandas do Novo Plano Nacional de Educação (PNE), focados em aprendizagem e, principalmente, em equidade.

O Ideb teve início em 2007 e é divulgado a cada dois anos. Ele é composto pelas notas médias dos estudantes nas provas de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pelas taxas de aprovação, retenção e abandono coletadas pelo Censo Escolar.

REGIÃO

A região também, por assim dizer, pode comemorar os dados deste Ideb, apesar de ainda ter, na maioria dos municípios analisados, índices abaixo das médias nacional e estadual. O TP compilou os números dos oito municípios que fazem parte do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), mais Dom Pedrito e Lavras do Sul, que integram a região da Campanha.

Dos municípios pesquisados, os melhores índices em todos os níveis são de Piratini e os piores são de Herval. Nos municípios de circulação impressa do jornal, Candiota tem o melhor desempenho nos anos iniciais da rede estadual e Pinheiro Machado na municipal. Nos anos finais, Candiota tem o melhor desempenho na rede estadual (acima das médias estadual e nacional) e Hulha Negra com melhor desempenho na rede municipal, porém ainda abaixo das médias gaúcha e brasileira.

BAGÉ

Nos anos iniciais, Bagé teve avanço na rede estadual (5,6 para 6,1) e recuo na municipal (de 5,8 para 5,5). As escolas que melhor pontuam neste quesito são as estaduais Senador Getúlio Vargas e Silveira Martins. 

Nos anos finais, tanto a rede municipal (de 4,5 para 4,6) como a estadual (de 4,8 para 5,4) tiveram avanços. A escola estadual Waldemar Amorety Machado obteve a melhor nota com 6,1.

O ensino médio público estadual avançou de 2023 para 2025 de 3,9 para 4,6, com a escola Carlos Kluwe (Estadual) obtendo a nota 4,8. 

CANDIOTA

Nos anos iniciais da rede municipal, Candiota avançou 11,3% do Ideb de 2023 para 2025, passando de 5,3 para 5,9. Na rede estadual, o avanço foi ainda maior, passando de 5,3 para 6,3 com aumento de 15,8% e na média estadual e federal. A escola com melhor Ideb de Candiota neste quesito é a estadual Jerônimo Mércio da Silveira, com nota 6,8 (em 2023 era de 5,4), sendo acima das médias estadual e nacional.

Nos anos finais, a rede municipal não aparece com notas e a rede estadual progrediu de 3,9 para 5,6, com melhoria de 43,8%. O melhor índice é da escola estadual Francisco Assis Rosa de Oliveira (Faro) com 6,1 (em 2023 era de 4,4).

No ensino médio, existente apenas na rede estadual, também houve avanço de 25,7%, passando de 3,5 para 4,4. Neste quesito, a escola Jerônimo tem o melhor desempenho com nota 4,9 (em 2023 era de 3,7) e está entre as melhores da região.

HULHA NEGRA

Hulha Negra avançou nas séries iniciais da rede municipal, passando de 5,3 para 5,6, com melhora de 5,6%. A rede estadual possui nota 5,5, sendo que em 2023 não há notas. As escolas municipais Auta Gomes e Monteiro Lobato possuem nota 5,6 e são as melhores em ambas as redes do município.

Já nos anos finais, a rede municipal teve uma leve queda no índice, passando de 4,7 em 2023 para 4,6 em 2025, com decréscimo de 2,1%. A rede estadual não tem nota. Neste quesito, a única escola que possui nota é a municipal Auta Gomes com 4,5 (em 2023 era de 4,6).

No ensino médio, existente apenas na rede estadual, a nota de 2025 foi 4,0, sendo sem nota em 2023. A única escola com ensino médio é a Manoel Lucas de Oliveira com nota 4,1 (sem notas em 2023).

PEDRAS ALTAS

O município de Pedras Altas praticamente não tem notas relativas ao Ideb 2025. Apenas no ensino médio estadual a nota é 3,5 (referente a escola estadual Leonel de Moura Brizola). Anos iniciais e finais, seja municipal ou estadual não há registros.

PINHEIRO MACHADO

Em Pinheiro Machado, os anos iniciais na rede municipal obtiveram nota 5,5 em 2025 ante 4,6 em 2023 (avanço de 19,5%), mas ainda abaixo das médias nacional e estadual, que é de 6,3. Na rede estadual neste quesito, a nota foi de 6,4, num aumento de 12,2% em relação aos 5,7 de 2023 (acima das médias do estado e país). As melhores notas foram das escolas General Hipólito Ribeiro (estadual) e Avelino Assis Brasil (municipal) com 6,4. 

Nos anos finais, a rede do município avançou de 3,9 para 4,3 (aumento de 9,3%). Já na estadual a melhora foi de 26,1%, passando da nota 4,2 de 2023 para 5,3 em 2025, alcançando a média nacional. A escola estadual General Hipólito Ribeiro obteve o melhor desempenho entre todas as escolas pinheirenses com nota 5,3.

No ensino médio, a única escola que oferece esta modalidade é a estadual General Hipólito Ribeiro, que obteve a nota 4,6.

Coordenadoria regional e secretarias municipais de Educação comentam os resultados

O TP conversou com os principais dirigentes educacionais da região, que avaliaram o desempenho no Ideb de 2025, que foi recém divulgado pelo Ministério da Educação.

Carmem Bueno

A coordenadora da 13ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), professora Carmem Bueno, responsável pelas escolas estaduais de cinco dos nove municípios analisados pelo jornal, assinalou que o Rio Grande do Sul foi o estado que mais avançou. Ela destaca que as escolas da regional, em sua grande maioria, superaram a meta prevista. Carmem enfatizou que duas escolas da rede estadual atingiram as metas nos três níveis – anos iniciais, finais e ensino médio, que foram a Jerônimo Mércio da Silveira, em Candiota e a Frei Plácido, em Bagé. “Nossa avaliação é que cerca de 70% das nossas escolas atingiram a meta prevista e isso é um resultado muito bom. Comprova que tudo que foi feito deu o resultado esperado. Que os programas e a atuação da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) realmente provaram que é possível ter uma escola de qualidade. Também tivemos o crescimento da proficiência (grau de competência, habilidade e pleno domínio que alguém possui ao realizar uma tarefa, dominar uma área de conhecimento). Então, não é só a questão do fluxo que algumas pessoas estão criticando, dizendo que aprova todo mundo, que basta aprovar que daí melhora o Ideb. Não é assim que funciona, tem que haver melhoria da proficiência. E aí o Rio Grande do Sul só ficou atrás do Piauí tanto de língua portuguesa quanto de matemática”, explicou Carmem.

Para o secretário de Educação de Pinheiro Machado, Leandro Silveira, que assumiu a pastas em maio deste ano, o aumento do índice, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, deixou a todos muito felizes, porque, segundo ele, esse trabalho já vem sendo realizado há anos. “Isso é fruto do trabalho dos professores, dos diretores, da equipe pedagógica da Secretaria da Educação, dos programas do governo federal. E também é o nosso método de ensino, que nós trabalhamos desde 2025”, afirmou

Com relação aos anos finais, ele enfatizou que o crescimento, apenas de ainda pouco, foi bastante interessante. “Estamos felizes também e já planejando melhorias, trabalhando em 2026, mas planejando 2027. E temos alguns pontos de atenção com relação principalmente à transição dos anos iniciais para os anos finais, que são os sextos anos”, destacou.

A secretária de Educação de Hulha Negra, Cristiane Pereira Gonçalves, assinalou que os resultados foram recebidos com muita responsabilidade e com o olhar de quem compreende que um indicador educacional representa uma caminhada construída diariamente por estudantes, professores, equipes gestoras, famílias e todos os profissionais que fazem a educação acontecer. Ela parabenizou a todos pelos resultados e disse que os avanços observados nos anos iniciais refletem um conjunto de ações que vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria, como o fortalecimento das formações continuadas, o acompanhamento pedagógico permanente, a consultoria junto às equipes gestoras e aos professores, o investimento em estratégias de recomposição das aprendizagens e a construção de práticas voltadas às necessidades dos nossos estudantes, além dos projetos integradores e as iniciativas que valorizam a cultura, o pertencimento e as diferentes formas de aprender, “Acreditamos que a educação precisa ir além dos conteúdos, proporcionando experiências significativas, fortalecendo vínculos e despertando o protagonismo dos estudantes”, disse.

Em relação aos anos finais, ela afirma que o resultado traz importantes reflexões e aponta caminhos que precisam ser fortalecidos. “Essa etapa possui desafios próprios e exige estratégias cada vez mais qualificadas para envolver os estudantes, fortalecer os vínculos com a escola e auxiliar na recomposição das aprendizagens que ficaram com lacunas ao longo do percurso escolar”, disse.

O secretário de Educação de Candiota, Michel Feijó, em nota enviada via Assessoria de Comunicação da Prefeitura, agradeceu o empenho, dedicação e comprometimento de todos pelos resultados positivos no Ideb 2025. Ele relembrou os índices dos último 10 anos: em 2015 foi 5,3; em 2017 – 4,9, em 2019 – 4,7, em 2021 teve pandemia, em 2023 foi 5,3 e em 2025 foi 5,9. Sobre os anos finais, que não tiveram notas, o secretário afirmou que “infelizmente não conseguimos validar nossas avaliações nas turmas de 9º ano pela falta de alunos (segundo os avaliadores externos) no dia da prova. Sabemos que os que estavam presentes no dia fizeram com muita responsabilidade. A SMEd tentou contato com o MEC/INEP, o secretário foi até Brasília para tentar reverter essa situação, pois na escola Neli Betemps tínhamos 80% dos alunos presentes, e o avaliador disse que não. E na escola Santa Izabel tinham 9 alunos (e menos que 10 alunos não entra na contagem). Para os anos finais iremos trabalhar com os avanços conquistados no SAERS: 2º ano –  Português – Prof média – (2024) 583 / (2025) 616; 2º ano – Matemática – Prof média – (2024) 546 / (2025) 512; 5º ano – Português – Prof Média – (2024) 208 / (2025) 213; 5º ano – Matemática – Prof média – (2024) 210 / (2025) 229; 9º ano – Português – Prof média – (2024) 215 / (2025) 249 e 9º ano – Matemática – Prof média – (2024) 217 / (2025) 248”, assinala a nota enviada.

O jornal tentou contato com as secretarias de Educação de Pedras Altas e Bagé e até o fechamento da edição não havia conseguido retorno.

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