Realidade do Brasil e das terras raras

* Rafael Bittencourt Leusin

O Brasil vive um momento importante nas terras raras. A cada semana surgem notícias sobre novas ocorrências, sondagens, aquisições, recursos minerais e o interesse de empresas em investir no país e no Rio Grande do Sul.

Isso é positivo. Mostra que existe interesse e confirma algo que já sabemos. O Brasil tem um enorme potencial mineral.

Mas precisamos começar a separar as coisas.

Uma ocorrência mineral não é uma mina. Um recurso mineral não significa que aquele projeto seja economicamente viável. E anunciar um projeto não significa que o Brasil tenha uma cadeia produtiva implantada.

Hoje, apesar de todos os anúncios, temos uma única operação comercial de terras raras no país. Existem muitos projetos em diferentes fases de pesquisa e desenvolvimento, mas ainda estamos muito distantes de transformar todo esse potencial em uma cadeia industrial brasileira.

E talvez esse seja o ponto que precisa entrar definitivamente na discussão.

Não podemos transformar toda ocorrência mineral em fato de desenvolvimento do país. Pesquisa geológica é fundamental. Prospecção é fundamental. Capital privado e investimento estrangeiro também são fundamentais. O mercado precisa disso. Mas existe uma longa distância entre encontrar terras raras no solo e conseguir produzir algo.É preciso conhecer a mineralogia. Entender a recuperação das áreas mineradas. Viabilizar a mineração.

É nessa trajetória que o Brasil precisa concentrar seus esforços. Temos pesquisadores extraordinários, universidades, institutos e conhecimento acumulado durante décadas. O que não podemos é continuar trabalhando de forma fragmentada. O projeto não pode ser de um pesquisador. Não pode ser de uma universidade. Não pode ser de uma empresa ou entidade governamental. O projeto precisa ser do Brasil. Precisamos juntar geologia, pesquisa, mineração e indústria e descobrir quais projetos realmente ficam de pé técnica e economicamente.

O Brasil já mostrou ao mundo que tem terras raras. Agora precisamos mostrar que sabemos o que fazer com elas.

* Administrador e Gestor da SSM Mineração

JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO