Evento reuniu autoridades e comunidade em Hulha Negra Foto: Silvana Antunes TP
Os municípios de Candiota e Hulha Negra articulam a implantação conjunta de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE), já com sinalização positiva do Conselho Nacional das ZPEs. A proposta avançou no dia 26 de setembro, quando em Hulha Negra, um seminário reuniu diversas autoridades, empresários e comunidade.
A ZPE é pensada como estratégia para reduzir a dependência da mineração e da geração de energia a carvão, inserindo-se no debate sobre transição energética justa. O projeto prevê incentivos fiscais e aduaneiros para atrair indústrias exportadoras, com potencial de gerar empregos, inovação tecnológica e integração produtiva na fronteira com o Uruguai.
Para o diretor do Instituto Cultural Padre Josimo, frei Sérgio Antônio Görgen, o seminário marcou um passo importante de diálogo direto com a população. “É o primeiro evento chamando o povo para esse debate. Esta proposta pode alterar a condição da metade sul do estado, e o apoio da população é fundamental”, afirmou o frei destacando a necessidade de facilitar a transição energética e a geração de emprego para os jovens. “O que defendemos é transição, não interrupção”.

O engenheiro eletricista natural da região, João Ramis considera histórico o debate: “Eu já estou com quase 70 anos e, pela primeira vez, vejo um movimento capaz de industrializar a região com um modelo tecnológico importante. A ZPE pode atrair indústrias modernas, gerar empregos e transformar o cenário de baixo desenvolvimento social e econômico que sempre marcou a Campanha”.
Ramis lembra que a região abriga a maior jazida de carvão do Brasil e depende historicamente dessa matriz, mas ressalta que o país tem compromissos ambientais internacionais e éticos que exigem a substituição gradual. Ele, que foi coordenador do Programa Luz para Todos, defende que a transição seja conduzida com responsabilidade social.
MOTOR DE DESENVOLVIMENTO
O prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani (PT), destacou que a ZPE representa oportunidade de emancipação econômica. “Hulha Negra e cidades semelhantes precisam conquistar isso, e a ZPE pode aquecer cadeias produtivas já consolidadas, como grãos, sementes e leite. Nós temos produtos de alta qualidade e queremos agregar valor, não apenas produzir matéria-prima. A gente costuma brincar: precisamos transformar o nosso milho, no mínimo, em polenta”, disse o prefeito, destacando ainda a necessidade de alinhamento à preservação do Bioma Pampa.
Já o prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador (MDB), defendeu a diversificação da economia local. “Temos condições de produzir metanol, fertilizantes, ferro, silício e alumínio a partir do carvão, além da instalação de fábricas de torres para energia eólica. O Rio Grande do Sul tem enorme potencial eólico, mas hoje esses equipamentos são produzidos na Bahia. Podemos trazer essa indústria para cá.”
POTENCIALIDADES
O vice-presidente da Goldwind Aerogeradores, Roberto Veiga, afirmou que a proposta busca alinhar desenvolvimento e sustentabilidade. “Viemos mostrar a possibilidade de investimentos aqui no Sul, baseados na necessidade de produção e geração de energia. Isso atrai empresas que vão instalar data centers, produzir químicos e desenvolver o hidrogênio verde. O mundo discute hoje a crise climática, e a transição energética é fundamental para o futuro das pessoas.” Segundo ele, a região pode se tornar polo de produção de equipamentos para energia eólica e receber fábricas de torres de mais de 160 metros.
O engenheiro Gabriel Schiriak detalhou aspectos técnicos. “A ZPE é uma área de livre comércio destinada à exportação, com regime diferenciado. Seu objetivo é gerar desenvolvimento regional, empregos e atrair indústrias de ponta. Diferente da Zona Franca de Manaus, que abastece o mercado interno, a ZPE é voltada para fora.”
* Com informações do site Brasil de Fato e jornalista Fabiana Reinholz
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