OLIVICULTURA EM ALTA

Com previsão de recorde na safra brasileira, Pinheiro e Candiota projetam produzir mais de um terço do azeite nacional em 2026

Dos cerca de 1 milhão de litros previstos, os dois municípios devem produzir 300 mil. Os dois principais produtores falaram da safra ao TP

A frustração das últimas duas safras (2024 e 2025), em tese, será recompensada em 2026. Os olivais estão repletos de azeitonas e a produção deve bater recorde no Brasil este ano.
A colheita acontece neste momento em meio à euforia dos produtores. Os 640 mil litros produzidos em 2023 – maior safra em 20 anos da produção nacional (ou seja, fora das condições do Mediterrâneo), tem projeção de ser superada facilmente em 2026, com expectativa de 1 milhão de litros ou mais, conforme o Instituto Brasileiro de Olivicultura.
Para se ter ideia da quebra dos últimos dois anos, em função do excesso de chuvas e umidade, se produziu 340 mil litros em 2024 e apenas 240 mil em 2025. Atualmente, o Brasil possui cerca de 550 produtores nos estados do Rio Grande Sul (maior produtor), Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.
REGIÃO EM ALTA
A região é a principal produtora e a expectativa de colheita é altíssima. A projeção é que somente Pinheiro Machado e Candiota devem produzir mais de um terço da produção nacional este ano.
Para chegar a esse número, o Tribuna do Pampa conversou com os dois principais produtores dos dois municípios, os azeites Batalha e Torrinhas. Ambos, somados, tem expectativa de produzir entre 370 litros e 420 mil litros.

Mais de 300 mil litros de Azeite Batalha

Maior produtor individual de azeites de oliva do Brasil, as propriedades do empresário Luiz Eduardo Batalha, em Pinheiro Machado e Candiota, devem produzir, segundo informado, entre 300 e 350 litros do Azeite Batalha nesta safra. Só ela já representa um terço da projeção nacional para este ano.

Para tal, em 700 hectares plantados (500 em Pinheiro e 200 em Candiota), se espera colher 2,4 milhões de quilos de azeitonas das espécies Arbequina, Arbosana, Frantoio, Koronoeiki, Coratina e Picual.
A safra deste ano empregou 200 pessoas, sendo que nos demais, 40 trabalhadores são mantidos permanentes na atividade.

Mais de 70 mil litros de Azeite Torrinhas

O produtor e empresário Rafael Buchabqui, que junto com o pai Jorge e a irmã Carolina empreendem o Azeite Torrinhas, afirmou ao jornal que a expectativa em 2026 é colher 500 toneladas de azeitonas dos tipos Arbequina, Arbosana, Manzanilla, Picual, Koroneiki, Coratina e Frantoio, nos 309 hectares em que plantam entre Pinheiro Machado (maior parte com 390 toneladas), Candiota, Hulha Negra e Bagé.

A pretensão é produzir entre 70 e 75 mil litros de azeite. “Isso significa bastante para nós, pois assim como outros produtores até mais antigos, chegamos nesse ano de supersafra mais preparados para o mercado. Ainda há bastante a aprender e explorar, tanto no campo quanto no mercado. Porém, já é possível visualizar uma nova etapa da olivicultura brasileira, mesmo com todas as adversidades, falta de informação e educação do consumidor, concorrência desleal com importados de baixa qualidade e falta de incentivos”, afirmou Rafael.

No processo de colheita, a empresa emprega na condição de safristas em torno de 60 pessoas. Além dessas equipes, aproximadamente 20 colaboradores são fixos, entre agrônomos, técnicos agrícolas, consultores, tratoristas, caseiros e outros cargos específicos de campo e manutenção das sedes. Também no lagar (indústria de azeite) em Candiota – junto à BR-293, há mais três pessoas fixas e mais 15 temporários, além do pessoal de vigia e segurança.

Abertura da colheita em Bagé

Prefeito Mainardi participou do evento Foto: Rayssa Bittencourt

Ocorreu na última semana, a primeira abertura oficial da colheita da azeitona de Bagé. O evento ocorreu na Vila Toscana e contou com a participação do prefeito Luiz Fernando Mainardi (PT), vereadores, secretários municipais e imprensa.

O prefeito Mainardi, que também é produtor de azeitonas em Hulha Negra, ressaltou o evento como marcante em seu significado para o cultivo de oliveiras em Bagé. “Como secretário estadual da Agricultura participei da primeira abertura da colheita de azeitona do Rio Grande do Sul, ocorrida em 2012, em Cachoeira do Sul. Portanto, penso que é importante a Bagé também ter esse momento porque simboliza o fomento à olivicultura da região”, frisou.

Conforme dados divulgados pela Emater, a projeção de produção de azeitonas de Bagé é de cerca de 200 toneladas, obtendo mais de 20 mil litros de azeite. A Rainha da Fronteira apresenta um crescimento no cultivo da olivicultura: em 2020 foram plantados cerca de 206 hectares. Em 2025, o município chegou a um total de área plantada em 416 hectares.

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