HULHA NEGRA

Com problema crônico de abastecimento, administração enfatiza precariedade e fuga de água do sistema de redes

Atual gestor falou ao jornal sobre ações buscadas em prol da solução gradativa do problema de desabastecimento

Funcionamento da ETA é um ponto importante para amenizar o problema Foto: Silvana Antunes TP

O tema água tem sido motivo de debates e audiências públicas em Hulha Negra. Isso porque o município, assim como a região, apresenta problemas históricos de desabastecimento na sede do município e falta de água potável, principalmente para famílias residentes no interior.

Uma audiência pública aconteceu na semana passada no município para tratar o tema como forma de busca de auxílio junto aos governos estaduais e federais. O encontro foi promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, presidida pelos deputados Zé Nunes (PT) e Luciano Silveira (MDB), sendo a iniciativa solicitada pelo deputado estadual Adão Pretto Filho (PT), após um pedido do prefeito Fernando Campani (PT), por meio do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja).

Na oportunidade, o Tribuna do Pampa conversou com o prefeito Fernando Campani sobre o problema de desabastecimento no município, considerado crônico, e o momento vivenciado de racionamento há anos. Quando questionado sobre o governo estaria fazendo para atacar o problema de forma imediata, além de toda a articulação que acontecia no município, o gestor lembrou que Hulha Negra possuía um sistema desgastado, que nunca havia recebido manutenção e investimentos decisivos. “Nenhum governo anterior deu manutenção e o sistema começou a complexar e nós começamos a correr atrás. Estamos com planejamentos para inaugurar uma estação de tratamento de água (ETA), colocar em funcionamento, traçar a rede e buscar os recursos, precisamos resolver problemas com o sistema em funcionamento. Temos redes desgastadas, envelhecidas e inadequadas, com fuga de água e é por isso que mantivemos os programas de racionamento, contenção de consumo de água”, explicou.

Segundo o prefeito, pontos de fuga de água já estão sendo identificados e corrigidos. “Temos um grande consumo, mas também um grande volume de fugas e que precisamos detectar com um sistema tecnológico. Já identificamos alguns pontos, estamos corrigindo, nesta semana está sendo resolvido um problema na Trigolândia e sede de forma parcial. Pretendemos entrar em outro nível, no ano que vem, não só quanto a oferta de água que vem da ETA, mas corrigir problemas de cota de acumulação de água no reservatório, com investimento continuado nas redes até que toda  extensão da sede do município, além do interior que é um problema bem mais grave, seja solucionado”, destacou.

HIDROMETRIA

A implantação de um sistema de hidrometria com o pagamento de água conforme o consumo por parte do contribuinte continua na pauta da atual administração. Campani, que havia anunciado ainda durante as eleições de 2024, confirmou a necessidade de implantação do sistema. “Nossa reforma administrativa foi feita para dizer que vamos fazer gestão no saneamento, ou seja, na água. Então colocamos estrutura de coordenação e técnica para conduzir uma ETA, e para conduzir o sistema com hidrometração. Já temos R$ 1 milhão disponível para comprar os hidrômetros e fazer a instalação, mas tudo tem seu devido tempo. Como já havia previsto no início deste ano quando assumimos, acreditamos que vamos entrar 2026 com a instalação dos hidrômetros e com a ETA produzindo água potável”.

ETA

A estação de tratamento de água (ETA) construída na Trigolândia pela UTE Pampa Sul e já entregue ao município, tem previsão de iniciar a produção de água tratada neste mês de novembro, em forma de testes. Quanto ao uso da água proveniente do sistema, o prefeito ações que incluem a instalação da rede que liga a ETA a reservatórios da sede do município. “Firmamos protocolo de cooperação com a Pampeano que tem o melhor laboratório da América Latina para que seja feito o monitoramento da qualidade da água semanalmente. Já contratamos o engenheiro responsável técnico da ETA e agora em novembro vamos começar a produzir água tratada. Depois, vamos começar a espichar a rede até o reservatório do posto de combustíveis para encaminhamento a caixa de água dos fundos do Centro de Atendimento Integrado de Saúde (CAIS), o hospital. Assim, vamos aumentar o volume de água reservada, o volume de cotas das caixas da sede. Ainda, está no projeto a instalação de um reservatório-mãe ao lado da ETA, tanto para abastecer a sede do município como a população da Trigolândia que vai ser beneficiada com seu funcionamento”, disse Campani.

INTERIOR

Prefeito abordou diversos pontos referentes ao abastecimento de água no município Foto: Reprodução TP

O prefeito, por fim,  destacou o grande problema relacionado ao abastecimento de água potável no interior do município. “Nossa grande missão, talvez a mais dolorosa, é o interior. O povo de lá não tem água. Ainda, as pessoas choram, passam sede e consomem água inadequada. Temos projeto de instalação de modelos de abastecimento com água superficial – importante dizer que as águas subterrâneas são impróprias e nós não conseguimos uma faixa de risco ideal para poder investir nisso, então vamos investir na reservação. Já temos R$ 5 milhões conquistados para instalar na barragem da Cooptil, um sistema de adução até uma nova ETA para atender 180 famílias na região da Conquista”, adiantou.

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