Disparada

Em 1966, no 2º Festival da Música Popular Brasileira, exibido na TV Record, a canção ‘Disparada’, interpretada por Jair Rodrigues, de autoria de Geraldo Vandré e Théo Barros, venceu o festival dividindo o primeiro lugar com ‘A Banda’ de Chico Buarque. A letra fazia uma crítica social ao comparar a exploração das classes pobres (o gado) pelas mais ricas ou governantes (os boiadeiros).

‘Então não pude seguir valente lugar-tenente
E dono de gado e gente,
porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata,
mas com gente é diferente.
Se você não concordar,
não posso me desculpar
Não canto pra enganar,
vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado,
vou cantar noutro lugar.’

 

Os anos passaram, mas os governantes brasileiros mudaram muito pouco. Daí que aqueles das classes mais pobres e médias que servem para manter os privilégios das elites passaram a ser chamados de ‘gado’ por aqueles que entendem que o ser humano tem algo a mais para oferecer além de ser massa de manobra para os que pretendem manter os privilégios de poucos, cada vez mais ricos, raramente empenhados na solução dos interesses das maiorias que, em quase todos os países do planeta, são os mais pobres.
Se não faz muito tempo o contraventor era o banqueiro do jogo do bicho, atualmente roubos bilionários se tornaram normais. Alguém receber propinas de milhões virou normalidade. O governo federal pagar mais de um trilhão de reais por ano em juros da dívida para uma pequena elite que vive de agiotagem virou normalidade.

Sei que quanto mais um governante faz mais o povo quer que faça.

Querem até que eu acredite que o presidente do Banco Central, indicado por Bolsonaro, passou anos no cargo sem jamais desconfiar de um pequeno assalto de R$ 50 bilhões, quase todo este valor já foi pago pelo fundo garantidor, aplicado por Vorcaro e a turma que o cercava no Banco Master e que nenhum troco iria cair na conta dos mais próximos amigos do chefe maior. Não vou acreditar. Não sou gado. O assalto realizado através do Banco Master e outros atrelados a este já colocou no mais sujo poleiro da República os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Tofolli, Alexandre de Moraes, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e esta semana o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Por enquanto é o que temos de forma mais evidente. Quando se fala de dezenas de milhões de reais pode ser coisa pouca.

Eu já fui prefeito e sempre estive longe, muito longe, de ser unanimidade. Sei que quanto mais um governante faz, mais o povo quer que faça. Sei que se exige de um governante que ele seja genial, empreendedor, trabalhador, negociador, enfim, tudo que as pessoas não exigem de si mesmas, exigem dos governantes.

Há quem tenha um bom motivo para não gostar do presidente Lula, ele não se formou na universidade. Deveria ter se formado. Lula que é Doutor Honoris Causa, títulos que recebeu de 42 universidades do Brasil e do exterior. É o brasileiro com maior número de títulos de Doutor.

Até outubro há um caminho para todos analisarem com quem caminhar.

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