RESGATE CULTURAL

Historiadora candiotense tem projetos aprovados com vistas à valorização da cultura, memória e patrimônio local

Candiota 1 hoje se tornou o Centro Cultural e abriga a Secretaria de Cultura. Uma roda de conversa aconteceu no local em 2017 Foto: Divulgação

Estão em fase de captação de recursos dois projetos da historiadora de Candiota, Rosilene Oliveira, que foram aprovados pela Lei Rouanet – “Patrimônio em Transformação: A Usina de Candiota 1 e o Processo de Musealização e Educação Patrimonial” e “Bombachas do Pampa Gaúcho: Saberes, Trabalho e Memória no Território do Seival – Candiota/RS”.
Rosilene Oliveira Silva, como parte da formação doutoral, realizou intercâmbio acadêmico de seis meses na Universidad Nacional de La Plata, na Argentina, com foco em estudos de Antropologia Urbana e os dois projetos buscam a preservação da história candiotense, do reconhecimento das trajetórias dos trabalhadores e de fortalecimento da memória coletiva para as futuras gerações.
CANDIOTA UM
O projeto “Patrimônio em Transformação: A Usina de Candiota 1 e o Processo de Musealização e Educação Patrimonial”, segundo explicou a historiadora ao TP, surgiu a partir de uma Roda de Memória em Candiota, em 2017, uma iniciativa de pesquisa e extensão acadêmica desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade Federal do Pampa. “A proposta reuniu a comunidade para registrar, preservar e compartilhar memórias relacionadas à construção de Candiota 1, reconhecendo especialmente o protagonismo dos antigos operários, trabalhadores e suas famílias na formação da cidade”, explicou Rosilene.
A historiadora conta que o projeto possui também uma dimensão pessoal e afetiva para ela por ser filha do eletricitário José Adahyr Silva (Seu Zé), e ter crescido ouvindo histórias sobre a usina, o trabalho e a construção do município. “Minha trajetória sempre esteve comprometida com a preservação da memória social e do patrimônio cultural. Foi a partir desse compromisso que elaborei essa proposta que busca valorizar o patrimônio industrial de Candiota e consolidar o Centro Cultural Candiota 1, patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, o Iphae, como um espaço de referência para memória, educação patrimonial e participação comunitária”, explicou a historiadora, destacando que entre as ações previstas estão rodas de memória com ex-operários e moradores, construção de acervo participativo, oficinas de preservação comunitária, formação de professores e estudantes, produção de documentário, materiais educativos e montagem de exposição museográfica interativa, beneficiando a comunidade geral e fortalecendo o sentimento de pertencimento.
Além de Rosilene Oliveira, integram a equipe a arqueóloga e educadora patrimonial e gestora cultural Vanessa Costa; Secretaria Municipal de Educação, por meio de Michel Feijó, Bibiana Silveira e Suelen Funari; vereadora Hulda Alves; além dos colaboradores Severino Moreira e Taylor Lima.
BOMBACHAS DO PAMPA GAÚCHO

Cooperativa localizada em Seival já trabalha com confecção de bombachas

O projeto “Bombachas do Pampa Gaúcho: Saberes, Trabalho e Memória no Território do Seival – Candiota/RS” nasceu a partir do diálogo com a presidente da Associação de Turismo de Candiota (ATURCAN) e da Cooperativa de Bombachas do bairro Seival, Onice Souza Pereira, sobre a importância de fortalecer o trabalho já desenvolvido pelas mulheres da cooperativa. “Amadurecemos a proposta de construir um projeto cultural voltado à valorização do saber-fazer tradicional, articulando cultura, memória, geração de renda e patrimônio cultural”.
O projeto foi elaborado e aprovado para captação de recursos, no valor de R$ 357.291 mil. Segundo Rosilene, “a proposta tem como objetivo fortalecer a Cooperativa de Bombachas do bairro Seival, reconhecendo a peça não apenas como um artigo do vestuário tradicional, mas como um bem cultural vinculado à memória, à identidade e aos modos de vida do território do Pampa Gaúcho. No Rio Grande do Sul, a bombacha constitui um símbolo cultural associado as práticas do campo e às festividades. Em Seival, local de relevância histórica, está relacionado ao trabalho coletivo das mulheres, à economia e à permanência de conhecimentos transmitidos entre gerações, além da preservação cultural e fortalecimento feminino”, destacou.
Inicialmente, o projeto beneficiará 20 mulheres, por meio de oficinas gratuitas de formação em modelagem e costura da indumentária tradicional gaúcha, qualificando tecnicamente as participantes e fortalecendo a produção coletiva da cooperativa. Além da formação, a proposta prevê a produção cultural, registro audiovisual dos saberes tradicionais, criação de catálogo, exposições públicas e ações de circulação cultural, ampliando a visibilidade da produção local.
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