OUTUBRO ROSA

“O apoio e o acolhimento foram minhas motivações”, afirma Suzane Cardoso, sobre o tratamento do câncer de mama

Suzane foi exemplo para de força para as participantes Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (31),se encerra o mês de outubro, voltado a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, por meio da campanha Outubro Rosa. Além do pequeno laço na cor rosa, símbolo da campanha e divulgação de materiais informativos sobre realização de exames, nesta edição o TP traz uma história de força e superação de quem passou pelo diagnóstico do câncer e tratamento.

A personagem é a extensionista da Emater de Hulha Negra, Suzane Xavier Cardoso, de 36 anos, que é mãe biológica da Maria Alice, de 4 anos, e do coração, do Vinícius, de 9 anos. Ela descobriu o câncer de mama em janeiro deste ano após perceber um nódulo no seio e passou pelo tratamento de quimioterapia, cirurgia de retirada das mamas, e atualmente está bem de saúde.

Suzane participou com seu depoimento, durante um encontro que aconteceu em Hulha Negra para falar sobre o tema, após a 4ª edição da Cavalgada do Outubro Rosa, realizada pela Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo, que tem a frente como gestor, Marco Igor Canto.

A DESCOBERTA E A CABEÇA ERGUIDA

A reportagem do Tribuna do Pampa conversou com Suzane que relatou não imaginar estar com a doença quando percebeu a presença do nódulo. “Eu não sentia dor, nenhum sintoma e até receber o diagnóstico definitivo eu tinha certeza que na era câncer. Acreditava que era algo relacionado a amamentação por ter amamentado por muito tempo minha filha”.

Segundo Suzane, o diagnóstico inicialmente a deixou desestabilizada e os momentos foram bastantes difíceis. “Parece que o chão se abriu, principalmente por não saber o quanto ele [câncer] estava avançado. Isso foi muito angustiante e a primeira coisa que eu quis fazer foi ir para minha cidade natal, Dom Pedrito, ficar com meus pais. Foi um fim de semana horrível, chorava por tudo e pensava o que seria de mim com câncer”.

Ela contou que apesar de ser um momento difícil, parou para pensar que precisava agir e fazer o que fosse necessário. “Me dei conta que não sabia qual era o meu grau de câncer e o médico havia dito que teria cura. Olhei para meu marido Yuri e disse: – Deu, chega de choro, a gente precisa ver exatamente o que a gente precisa fazer. E aí eu comecei a correr atrás dos exames que eu precisava fazer e na semana seguinte estava com tudo pronto”, relatou.

MOMENTOS DIFÍCEIS E RETIRADA DA MAMA

Questionada pelo jornal a relatar os momentos considerados mais difíceis do diagnóstico ao tratamento, Suzane citou dois: a perda do cabelo e a dependência pós cirurgia de remoção da mama. “Eu tinha cabelo comprido porque sempre gostei, não gostava de cabelo curto, nem pintava para não estragar com química. Então saber que eu perderia o cabelo foi um momento muito difícil. A outra foi a remoção do seio, não por remover, mas pelo fato do pós-operatório, onde não podia me mexer e precisava de ajuda direta para me alimentar, ir ao banheiro, tomar banho e até escovar os dentes no início. Sempre fui muito independente, então foi bastante complicado esse processo apesar de ter sido uma opção minha retirar o seio”, contou.

Ao jornal, Suzane, que hoje usa prótese nas duas mamas, disse que por ter plano de saúde optou pela retirada dos dois seios como forma de prevenção. “Foi uma opção minha. Poderia ter tirado só a mama direita, mas como meu câncer é hereditário eu tinha chance de ter no outro seio. Então, como forma de prevenção, eu tirei os dois seios e coloquei prótese nos dois. Claro, que quem precisa fazer tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) talvez não consiga fazer”.

MAIOR MEDO

A respeito do maior medo atualmente, Suzane é clara dizendo que é ter novamente a doença.  “Por saber que meu câncer era hereditário, optei também pela retirada, em setembro, das trompas e dos ovários, porque eu tinha uma chance muito alta de ter câncer ali também”.

Ela relatou que a opção, no caso dela, foi em razão de não querer ter mais filhos. “Já tenho a minha Maria e meu esposo, o Vinícius, meu enteado, meu filho do coração, então não pretendíamos ter mais filhos. E se eu não fizesse a retirada agora, eu teria que fazer um tratamento com inibidor hormonal, porque não poderia engravidar por cinco anos. Mas claro, que muitas mulheres querem ter filhos e a retirada de trompas e ovários é algo digamos drástico, ao contrário do que pra mim, que foi algo normal em razão das minhas decisões, o que eu tenho medo é de ter câncer de novo”.

TRABALHO E APOIO

Suzane contou que mesmo com o tratamento, a boa condição de saúde a permitiu seguir trabalhando, fator que considera muito importante nesse período. “Durante as quimioterapias tive sintomas leves. Fazia a quimio na sexta-feira, e sábado e domingo ficava um pouquinho cansada. Depois, na segunda-feira voltava a minha rotina normal, trabalhava de segunda à quinta. Claro, que eu sempre digo assim, o meu trabalho não me exigia esforço físico. Então, eu consegui continuar trabalhando, foi inclusive uma opção minha seguir no serviço, pois me auxiliava, ajudava muito. Pensava que ficar parada em casa seria pior, trabalhando eu encontrava as pessoas, descobri o quanto era querida, fui muito acolhida. Trabalho com público de produtores, sempre estavam querendo saber como eu estava, eles me acolheram, eram compreensíveis porque eu estava um pouco mais lenta, nunca tive problemas. Isso foi muito importante para meu tratamento, saber que as pessoas se importavam, enfrentar esse processo com eles foi o que motivou muito além da família”, relatou.

Ao se referir à família, ela fala da importância do apoio. “O meu marido Yuri foi fundamental ao meu lado, além da minha mãe e toda família do meu esposo. Eles me auxiliaram muito e juntando dentro da situação de manter ao máximo minha rotina, consegui vencer”.

MENSAGEM

Antes de deixar uma mensagem, Suzane deixa um recado para as mulheres. “Se está com um carocinho na mama, se sentiu algo diferente, procure o médico, pois o câncer é silencioso. Talvez se eu tivesse esperado um pouco mais hoje eu não estaria aqui, pois o meu câncer era muito agressivo. Faça todos os exames preventivos, pois quanto mais cedo descobrir, mais cedo começa o tratamento e mais cedo pode se conseguir a cura”.

Por fim, ela deixa uma mensagem para quem está passando pelo tratamento ou possa vir a receber o diagnóstico. “Não se deixe abalar, não deixe a doença tomar conta, quem não consegue seguir trabalhando, deve procurar alguma coisa para fazer, de repente um grupo de mulheres para participar com alguma atividade, tentar fazer alguma coisa que se distraia para que não fique focado o dia inteiro em casa pensando na doença. Isso me ajudou muito, não fique pensando: o que vai ser de mim? Não, vamos lá, o tratamento é pesado, é cansativo, mas devemos levantar a cabeça”, finalizou.

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