ÁGUA

Prefeito de Hulha Negra levanta preocupação com segurança hídrica regional

Sob esse argumento ele também defende a securitização ou extinção das dívidas dos agricultores

Região, historicamente, enfrenta problemas com a estiagem Foto: Arquivo

Em opinião enviada ao TP, o prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani (PT), que também é biólogo de formação, sustenta com bases científicas e indica preocupações em relação a situação da segurança hídrica na região da Campanha Gaúcha.

Segundo ele, em levantamento feito pelo Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH) – instrumento inovador e oficial da Agência Nacional das Águas (ANA) -, revela que até 2035 cerca de 74 milhões de brasileiros estarão sob algum grau de insegurança hídrica. Isso quer dizer que o acesso à água de qualidade, considerado um direito humano pela Organização das Nações Unidas (ONU), estará comprometido.

De acordo com Campani, o PNSH também fornece o Índice de Segurança Hídrica (ISH) das diferentes regiões do Brasil e oferece dados fundamentais para elaboração de diretrizes e políticas de segurança hídrica. “O ISH é uma ferramenta criada para avaliar e retratar as diferentes dimensões da segurança hídrica em uma determinada área, como um país ou região. Ele busca mensurar o quão bem essa área garante o acesso à água em quantidade e qualidade adequadas para diversos usos, considerando aspectos humanos, econômicos, ecossistêmicos e de resiliência”, explica o prefeito e ambientalista.

Nesse contexto, que ele relata a situação da região, a considerando gravíssima, e a perspectiva de recuperação financeira das centenas de famílias de agricultores que buscam reverter o impacto proporcionado por uma sequência, nos últimos cinco anos, de eventos climáticos impróprios para a produção agropecuária. “É evidente a necessária abertura de políticas de securitização ou extinção das dívidas dos agricultores. Cabe salientar que a situação dos agricultores foi ocasionada pela natureza da região já devidamente estudada pelos institutos federais com orientações decisivas contidas no PNSH”, defende Campani.

PROPOSTAS

Em artigo publicado em março de 2023 no jornal Brasil de Fato, Campani já expressava sua preocupação. Recentemente ele afirmou ao TP, que se ao fim do seu mandato de prefeito conseguir levar água de qualidade para toda a zona urbana e parte da rural de Hulha Negra, se dará por satisfeito. “O abastecimento de água para a zona rural da Campanha Gaúcha não é uma tarefa simples. Há diversos fatores que dificultam a prestação desse serviço público para a população que reside no campo, mas existem soluções que resolvem ou amenizam a situação. Requer, acima de tudo, vontade política dos gestores públicos, investimentos básicos, adoção de um real plano de gestão com a participação dos usuários e criar estratégias de sustentação financeira e técnica operacional dos sistemas. É uma equação que não dispensa um processo permanente de educação sanitária e fiscalização de uso e manutenção. Por meio de algumas ações, é possível levar mais saneamento para o meio rural, contribuindo para que a população tenha acesso à água de boa qualidade, bem como alternativas para a coleta e o tratamento de esgoto. Com isso, é possível diminuir a incidência de doenças causadas pela falta de água em quantidade e qualidade”, destacou.

Ele aponta ainda soluções. “Em relação ao sistema mais adequado à realidade da Região da Campanha Gaúcha, as ações devem ser híbridas. Ou seja, contar com o sistema tradicional de captação de águas superficiais com adução, tratamento em pequenas ETAs e distribuição com redes eficazes, sem dispensar os mecanismos de reservação na ponta de consumo, composto por cisterna e filtros eficientes”, afirma no artigo.

Também, Campani critica fortemente a prática de abertura indiscriminada de poços artesianos. “A doentia prática de perfurações de poços sem estudo prévio e operações caríssimas devem ser levadas mais à sério e redimensionadas como planos complementares. A constituição de associações ou condomínios de usuários da água é uma estratégia interessante para promover a estabilidade da qualidade através da corresponsabilizacão e controle social da qualidade das operações do sistema. A constituição dos condomínios projeta uma verdadeira cooperação entre o poder público e a sociedade organizada”, aponta.

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