Quem tem projeto?

Em pouco menos de três anos estarei completando 70 anos. Não é pouco tempo. Quando jovem nunca pensei que um dia chegaria aqui, mas continuo chegando, em breve aos 70 e se tiver um pouco de sorte aos 80. E há momentos em que não descarto a possibilidade de chegar aos 90. É que sou otimista, quase sempre.

Logo, preciso ter um plano para executar no futuro. Todos nós temos de ter planos, sejam eles simples, óbvios, complexos, fáceis de executar, difíceis. Não importa, melhor ter planos.

Os meus são fáceis de pensar e executar quando eu achar que devo. Porém, nem tão simples são os que envolvem uma sociedade inteira, um município, um estado, um país.

Quando em 1993 eu assumi o governo municipal de Hulha Negra, o meu projeto tinha uma meta simples, consolidar o município recém criado com estruturas administrativas que repercutissem na educação, saúde, infraestrutura. Dar à vila ares de cidade. E fui fazendo um Centro Administrativo (que já não existe mais com secretarias espalhadas pela cidade), uma escola de excelência na sede (que deixei com pré, ensino fundamental completo e universidade, além de providenciar o ensino médio estadual), uma unidade de saúde muito diferenciada comparada com outros municípios de mesmo porte na época, um amplo projeto de saneamento – quase todo instalado durante meus mandatos, e na área econômica a instalação de dezenas de empresas nas mais diversas áreas, muitas com incentivos municipais. Também instalamos três hortos (todos desativados posteriormente, sendo um deles o maior polo de pesquisa em plasticultura e fertirrigação do estado). Enfim, após ser determinante para a criação das duas maiores festas municipais, a Festa do Colono e a Oktoberfest, quando deixei o governo após três mandatos, Hulha Negra dava os ares de uma pequena cidade, sede de um município com grande potencial.

Infelizmente, o debate político é pautado por muitas mentiras, mas o básico é preciso que as pessoas saibam.

Após o final do meu terceiro mandato, em 2008, entra governo, sai governo, e qual é o projeto para Hulha Negra?

Olho para o lado e faço a mesma pergunta, qual é o projeto para Candiota?

Vislumbro um pouco mais além e questiono qual é o projeto para o Rio Grande do Sul?
E o Brasil? Qual o projeto?

Sobre o planeta é fácil saber o projeto, primeiro levar o planeta ao caos absoluto e depois agir com alguns ganhando muito dinheiro tentando resolver os problemas criados que levaram ao caos e poderiam ser evitados. Porém, evitar resulta em diminuir o lucro.
No Brasil só há um projeto viável para o futuro que é investir nas relações internacionais, que chamam de multilateralismo. O agronegócio precisa da China, da Índia, dos países árabes do Oriente Médio, da Ásia e da Europa. Os Estados Unidos competem com o Brasil e são um mercado que diminui a cada ano, além de que safras boas por lá resultam em perdas econômicas por aqui. Já Israel é um mercado muito pequeno e inexpressivo nas exportações brasileiras.

Infelizmente, o debate político é pautado por muitas mentiras, mas o básico é preciso que as pessoas saibam.

Nos municípios é fácil saber o que as pessoas querem, mas é preciso convidar as pessoas para que façam o debate e registrem as soluções originadas de um debate. O problema é achar alguém que queira e saiba fazer um seminário com formato de seminário.

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