Assis Brasil com novilhas Devon Foto: Acervo ABCDB
A cidade de Pedras Altas e a história do Castelo de Pedras Altas, que pertenceu ao diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857-1938) estarão sendo lembradas na 49ª Expointer, que acontece de 29 de agosto a 6 de setembro no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Isso porque uma das pautas será a raça Devon, que foi trazida ao Brasil no início do século 20, quando Assis Brasil buscava aprimorar a qualidade do rebanho bovino brasileiro e durante uma viagem à Inglaterra, observou que as condições do condado de Devon eram semelhantes às do Rio Grande do Sul. Então, em 1906, o diplomata, político e produtor rural importou do Uruguai um lote de 40 novilhas Devon para a propriedade que mantinha em Pedras Altas, o Castelo que hoje pertence à família Segat que também retomou a criação da raça no local histórico.
O Devon foi introduzido como melhorador do gado crioulo existente. Novos criadores compartilharam o gosto pela raça, ajudando a povoar outros campos e fazer a fama da boa pecuária do Sul do Brasil. Em 1912, o Devon chegou aos Campos de Cima da Serra e, na década de 1940, a Santa Catarina a partir de Lages, espalhando-se por diversas regiões.
“Assis Brasil estava certo. Hoje a carne é reconhecida pelo sabor e qualidade diferenciados, fruto do trabalho de criadores bastante entusiasmados e dedicados”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB), Alfredo da Silva Tavares. O dirigente aponta os diferenciais zootécnicos que sustentam o bom desempenho do rebanho a campo. “São animais de pelagem rubi que apresentam rápido apronte, excelente conversão alimentar e alto rendimento de carcaça. Entre as características mais marcantes estão fertilidade, habilidade materna, precocidade e docilidade — condições que são transmitidas com extrema eficiência nos sistemas de cruzamento. Diante de tudo isso, temos muito o que comemorar”, complementa Tavares.
Em material anteriormente publicado pelo TP após entrevista com o advogado Luiz Carlos Segat, pais dos proprietários os irmãos Rafael, Gabriela e Kamilla, na valiosa biblioteca deixada por Assis Brasil, pelo menos 105 obras tratam sobre a raça Devon. A mais antiga é uma publicação inglesa de 1884; em algumas o próprio Assis Brasil fez anotações escritas à mão e uma caixa de madeira com um torrão de terra trazido da Inglaterra, de onde se originou a raça Devon. “Eu fiz um contexto da importância e magnitude do Assis Brasil e do Castelo de Pedras Altas, o Devon está inserido nesse meio, como uma pedra preciosa”, resumiu Segat na época, que também detalhou que segundo historiadores, Assis Brasil via na adaptabilidade a melhor característica da raça Devon e que os touros eram mantidos em meia estabulação, já as vacas viviam inteiramente a campo, tanto no inverno como no verão.
Animais Devon estão novamente nos campos do Castelo de Pedras Altas Foto: Divulgação
120 ANOS NO BRASIL
O tempo da raça no Brasil será comemorado. O início das celebrações dos 120 anos será na 49ª Expointer. A confraternização será dia 1º de setembro, reunirá entidades, produtores e profissionais do setor no estande da raça e terá como destaque a Carne Devon Certificada.
O DEVON HOJE
Atualmente, o rebanho brasileiro de Devon é estimado em cerca de 250 mil cabeças, concentrado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com presença expansiva no Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul. Os registros na Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) começaram em 1914, quando o Visconde Ribeiro de Magalhães, de Bagé, inscreveu três animais importados da Inglaterra. No ano seguinte, o mesmo criador oficializou o touro “Bagé”, o pioneiro dos exemplares nascidos no país, já que os animais nascidos no Brasil antes dessa data não eram inscritos na entidade. Desde então, o volume de animais registrados na ANC soma quase 125 mil exemplares entre Puros de Origem (PO) e Puros Controlados (PC).
Ao longo das décadas, a raça Devon evoluiu de um biotipo compacto para animais com maior profundidade corporal e volume de carcaça, buscando rendimento de carcaça e acabamento superiores. Essa evolução também aparece nos índices produtivos. Enquanto, no passado, um animal precisava de quatro ou cinco anos para atingir 250 kg de carcaça, hoje pode chegar aos dois anos com até 270 kg de carcaça. Outro avanço marcante é a preferência pelo gado mocho, visto que a ausência de chifres reduz significativamente os ferimentos em confinamentos e no transporte até os frigoríficos.
O Devon brasileiro é reconhecido mundialmente pela excelência de seu plantel. Tecnologias de ponta e o melhoramento genético alinharam os rebanhos do Brasil com os de outras potências da raça, como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Reino Unido — o berço do Devon. As diferenças zootécnicas entre os plantéis desses países são consideradas pequenas, também um reflexo do intenso trânsito global de sêmen e embriões.
CARNE CERTIFICADA
A excelência que consagrou a raça ganhou um selo oficial de garantia em 2017, com o lançamento do programa Carne Devon Certificada. Desenvolvido em parceria com o Frigorífico São João, de Santa Catarina, o programa atesta a qualidade premium da carne e bonifica o trabalho dos produtores que entregam animais rigorosamente dentro das exigências. De janeiro a julho deste ano, foram abatidas 6.999 mil cabeças com o padrão racial Devon, entregando ao mercado uma carne que se destaca pelo marmoreio, maciez e sabor inconfundível.
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