Saga política no universo paralelo brasileiro

TRAPAÇA – OS TRÊS VOLUMES Saga política no universo paralelo brasileiro: Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma, é disso que a coluna de hoje tratará. A referência, por sua vez, é a uma clássica obra de Luís Costa Pinto, reconhecido jornalista que presenciou muitos – ou todos – os acontecimentos políticos mais importantes da Nova República. Agora reunidos, os três volumes da saga de Costa Pinto percorrem quase trinta anos de nossa história, retratando de forma impiedosa personagens de grande relevância no e do cenário político. Jornalismo literário da melhor qualidade, é o que temos a partir desta trilogia.

O primeiro volume da saga trata dos bastidores que levaram ao impeachment do Presidente Fernando Collor. Costa Pintotinha apenas vinte e três anos quando foi incumbido da pauta que abalaria o país: convencer o empresário Pedro Collor de Mello a dedurar o próprio irmão e o seu atribulado governo. O jornalista, sabemos bem, foi exitoso em sua empreitada, sendo que a famosa capa da Revista Veja esteve lá para demonstrar. Collor caiu, de mais a mais. Logo… eis que o livrorevela os bastidores de uma investigação dramática.

Já o segundo lida com os tempos de Itamar Franco e FHC, começando horas antes do ponto em se encerra a história do volume 1 – o afastamento de Fernando. O diapasão temporal vai da madrugada do dia 1º de outubro de 1992, quando Itamar Franco assumiria a Presidência da República substituindo Collor, que passava a responder a um processo de impeachment, até a segunda-feira 26 de abril de 1999 quando o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, sai preso do Senado Federal. Luís Costa Pinto considera que, naquele episódio, encerra-se o ciclo virtuoso dos mandatos de FHC como presidente. O autor narra os bastidores da política e do jornalismo político a partir do epicentro dos acontecimentos: Brasília.

O terceiro – e último dos volumes – vem para abordar os dois Presidentes provenientes do Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma. O jornalista narra uma dura e premonitória discussão mantida com o então presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço institucional do MDB, Moreira Franco.O político, que viria a ser preso alguns dias em 2019 em razão de denúncias da Lava Jato e em função do processo de lawfare promovido contra diversos agentes públicos, confessava à mesa, durante um prosaico almoço no ano de 2015, que estava empenhado em garantir apoio partidário e até estrutura operacional para o MBL, a fim de que se iniciasse uma escalada midiática pelas redes destinada a promover o impeachment de Dilma. Apenas poucos dias antes, o deputado Eduardo Cunha, filiado ao MDB e presidente da Câmara dos Deputados, aceitara iniciar a tramitação de um pedido de impedimento da presidente da República, reeleita em 2014. Lula, Dilma, queda, eis o pano de fundo.

Os jornalistas são personagens e sujeitos da história. As intrigas profissionais e os dramas pessoais de repórteres e de fontes se entrelaçam na trama e, novamente, por meio de fatos, forma-se um painel de casos reais que podem ser estudados pela Ciência Política – e tudo narrado em ritmo de thriller jornalístico. Vale ler!

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

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