ESPECIAL

Uma leitora assídua do Tribuna do Pampa

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Há 58 anos em Candiota, a leitura sobre os assuntos da região faz parte da rotina Foto: Gislene Farion TP

Gislene Farion

Essa senhora simpáti­ca da foto é a dona Ilda. Todas as terças e sextas-feiras ela para tudo o que está fazendo para ler o Tribuna do Pampa. “Quando eu começo a ler só paro quando chego no final, nada e ninguém me interrompe nessa hora”, contou.

O que ela tem de diferente da maioria dos nossos leitores? 93 anos de idade e nada, nem mesmo a dificuldade com a visão, a faz ficar longe do único meio que utiliza para se informar sobre os assuntos da região.

Na última semana, Ilda Nunes de Andrades recebeu a reportagem para contar um pouco sobre essa sua ligação com o jornal – o qual ainda tem o hábito de chamar de A 1ª Folha – primeiro jornal de Candiota e que foi extinto em 2011, tendo sido subs­tituído pelo TP.

Segundo ela, que mora em Candiota há 58 anos, o costume já é bas­tante antigo. “Meu marido (Cídio de Andrades Jacob – falecido em 2014), lia e era assinante do Correio do Povo, mas não tinha notícias daqui. Depois co­meçamos a assinar a 1ª Folha e eu sempre espero o jornal chegar aqui em casa para poder ler. Com a idade eu acabo não saindo muito de casa e é por ele que fico sabendo de tudo”, disse. De forma muito bem humorada ainda perguntou “como vocês conseguem estar em todos esses luga­res?”, brincou.

Para ela, a leitura é uma das prioridades da sua rotina de aposentada. “Leio o jornal, a Bíblia e qualquer outro livro. Além dos óculos eu ainda uso uma lupa para me ajudar, mas nem isso me faz de­sistir”. E se engana quem pensa que, pela idade, dona Ilda tem uma rotina muito monótona. Na manhã em que recebeu a reportagem, enquanto conversava, ain­da ficava atenta para não perder o horário de tem­perar o feijão. “Eu gosto é do meu tempero, então eu mesma vou e faço tudo ali. Tem uma moça que me aju­da, mas eu gosto de fazer também. Enquanto eu ain­da consigo, vou fazendo”, falou animada. As compras do mercado e os próprios remédios também são de responsabilidade dela, que conta com a ajuda do casal de filhos. Além disso, dona Ilda faz parte do Grupo de Idosos e aguarda ansiosa pelas confraternizações.

Com grande parte da vida morando em Can­diota, ela conta que tem muitos amigos e conheci­dos pela região. “Gosto de ficar sabendo o que aconte­ce lá em Hulha Negra, onde tenho uns conhecidos. Às vezes eu pergunto para os meus filhos se eles viram tal coisa e só eu já soube, acredita?! As notícias de Pinheiro Machado eu tam­bém me interesso bastante, fico acompanhando aquela desunião dos vereadores com o prefeito e sei que daquele jeito a coisa não tem como ir para frente”, avaliou.

Naquele dia, mais que uma pauta, para a reportagem do TP a con­versa com a dona Ilda nos possibilitou uma grande experiência – e um mo­mento que às vezes a ro­tina e a correria do dia a dia até nos faz esquecer. Fazemos jornal por isso. Para que pessoas como ela possam ficar informadas sem sair de casa. Para que, mesmo com o uso da lupa, ainda haja motivos para não desistir da prática da leitura. Trabalhamos para Ildas, Marias, Cídios e Joãos – gente que entende a importância de um jorna­lismo sério e de qualidade. E não, dona Ilda, nem sempre conseguimos estar em tantos lugares como gostaríamos, mas pela se­nhora e por tantos outros fiéis leitores, continuamos diariamente tentando.

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